Cinema

Porto/Post/Doc prova vitalidade com forte competição internacional

Porto/Post/Doc prova vitalidade com forte competição internacional

O festival de cinema Porto/Post/Doc termina este domingo, ao fim de sete dias de programação, mas ainda ia a meio, quando se cimentava a certeza de uma grande edição, com uma competição internacional mais forte do que nunca.

Este sábado, ainda pode ver o documentário sobre Grace Jones e "Meteors", um dos favoritos à vitória, entre outros filmes.

Não será fácil a escolha do júri, perante uma competitiva seleção oficial que dá provas da vitalidade do festival de cinema do Porto, que ano após ano mostra merecer o título de um dos melhores do país e que parte para a quinta edição com a certeza de ter, pela primeira vez, financiamento do Instituto do Cinema e do Audiovisual para os próximos anos.

"Meteors", de Gürcan Keltek, é um relato contemplativo e poético, a preto e branco, do conflito não televisionado curdo-turco, interrompido pela "lei marciana", uma insólita chuva de meteoros. "Primeiro, de fora vinham os sons de efervescência e celebração, depois, de caos e cacofonia. O que ouço agora é guerra", introduz a narradora, que empresta as suas sensações e emoções ao documentário, enquanto os habitantes locais cedem as imagens, para mostrar como os conflitos armados transformam paisagens, mas também sentimentos.

Pela frente tem outros grandes concorrentes, a começar por "Makala", vencedor da Semana da Crítica no festival de Cannes. Documentário puramente observacional, no qual o esforço sobrenatural de um congolês, dono de uma grande fé, trespassa em longos planos sequência, ao longo de 50 quilómetros de estrada empoeirada, feita para ir vender sacos de carvão, amontoados numa bicicleta empurrada a custo. Uma história de superação impressionante, captada pela lente afinada de Emmanuel Gras.

Contudo, também há o mocumentário (falso documentário) sobre as diversas faces de uma Europa a braços com a crise de refugiados, que se serve de migrantes reais, "Stranger in Paradise", de Guido Hendrikx; o conto real sobre a octogenária "Lida", gravado ao longo de sete anos, por Anna Eborn; os planos sensoriais de "Wild Plants", de Nicolas Humbert; a trama engenhosa de "Taste of Cement", de Ziad Kalthoum, que usa a história de um emigrante sírio que levanta cidades, no pós-guerra, para nos inquietar com o que se passa na Síria, entre os doze candidatos. O palmarés é conhecido na noite deste sábado.

Para ver este fim de semana

Além de "Meteors" (18 horas), também "Gray House" volta a ser exibido, hoje, no Teatro Rivoli (15 horas). Na primeira longa-metragem de Austin Lynch (filho de David Lynch), co-realizada por Matthew Booth, as personagens principais são os lugares enigmáticos donde parte e onde coloca pessoas dentro, para melhor descrever o seu quotidiano, seja uma cadeia de mulheres, uma petrolífera ou uma simples casa.

Outro dos destaques deste sábado é "Grace Jones: Bloodlight and Bami", o documentário de Sophie Fiennes que acompanhou a excêntrica cantora jamaicana ao longo de dez anos, tanto na sua vida pública como privada. O filme integra a nova secção "Highlights", aposta ganha desta edição do Porto/Post/Doc, que levou filmes de maior projeção, incluindo de ficção, ao festival de cinema documental e híbrido. O resultado foi um auditório Manoel de Oliveira (Rivoli) cheio quase todas as noites, com filmes como "The Beguiled" de Sofia Coppola, "120 Battements par minute" de Robin Campillo ou a "An Inconvenient Sequel: Truth to Power" (com Al Gore) de Bonni Cohen e Jon Shenk. Este último levou ao compromisso da direção do festival ter mais filmes sobre a temática do ambiente, no próximo ano.

O festival termina este domingo com a estreia de "Lucky" (21.30 horas, no Rivoli), de John Carroll Lynch, uma homenagem póstuma ao lendário ator norte-americano Harry Dean Stanton, que teve aqui o seu último papel - "uma meditação sobre a mortalidade, a solidão, a espiritualidade e a conexão humana", justamente baseada em si.