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Pós rockezinho ainda é pouco em Coura

Pós rockezinho ainda é pouco em Coura

Ainda não foi com Minor Victories, a "superbanda indie", que Coura se levantou de entusiasmo. Foi a terceira banda do primeiro dia.

Vista de cima, a encosta estava toda cheia, já muito preenchida para um primeiro dia, mas 2/3 dos espectadores permaneceram sentados, como que à espera que comece a acontecer algo que ainda não aconteceu. A parte à frente do palco é onde já se juntam mais pessoas e todos ficam de pé nesse retângulo para lá da cabina de som que está embutida no anfiteatro e na relva.

Após as entradas tépidas dos We Trust e dos Best Youth (filantropia, pop airplay leve e muita simpatia, mas tudo tépido), o primeiro dia do 24.º Vodafone Paredes de Coura ainda não levantou inteiramente entusiasmo - e também não foi com Minor Victories, a "superbanda" que junta Rachel Goswell dos Slowdive e os guitarristas Stuart Braithwaite, dos Mogwai e Justin Lockey dos Editors e que soa exatamente a isso (ou àquilo que imaginamos que podia soar).

Simplificando, é pós rock e fica espelhado em "Out to see", a canção de saída que é uma chuva elétrica saraivada por guitarras a tilintar num pequenino tufão de shoegazing que saía surdido em camadas de ruído doce, com duas notas de alarme de teclas a revolver, apostado no crescendo e na pós-explosão como construção sistemática emocional.

A resposta, para lá de um ou outro arrepio precoce desprevenido - as noites ficam imediatamente frias em Coura, o sol é enganador - foi esta: a encosta manteve-se exatamente na mesma e sentada, certamente satisfeita, mas se calhar a pensar porque é que ainda não aconteceu nada que nos fizesse perder a cabeça. Ficamos todos fãs do sotaque e da simpatia brit da Rachel que dizia vezes seguidas "thankyou sau mach", mas alguém lhe devia dizer que aquele vestido verde a florir de pétalas amarelas enormes no seu pescoço não lhe fica bem e a faz parecer ao longe um ananás.

O primeiro dia só iria mudar já depois da meia-noite com a Unknown Mortal Orchestra e à hora do super-hit "I can"t keep checking my phone - isso sim! e dançamos - é que tudo mudou, mas, por acaso, tecnicamente já era outro dia.

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