Cultura

Prémio Camões para Manuel António Pina

Prémio Camões para Manuel António Pina

O escritor e cronista do JN Manuel António Pina ganhou esta quinta-feira o Prémio Camões, o maior prémio literário de língua portuguesa. A distinção, justificada pela "inventividade e originalidade" da obra, foi atribuída por consenso do júri.

A decisão foi consensual e unânime numa reunião que durou menos de meia hora, disseram os membros do júri no final da reunião na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Poeta e autor de livros para crianças, Manuel António Pina, de 67 anos, nasceu no Sabugal, é licenciado em Direito, foi jornalista e é tradutor, professor e cronista, nomeadamente do JN.

O Prémio Camões, criado em 1989 por Portugal e pelo Brasil para distinguir um escritor cuja obra tenha contribuído para a projecção e reconhecimento da língua portuguesa, foi-lhe atribuído por unanimidade do júri reunido no Rio de Janeiro.

Integraram o júri desta 23.ª edição do prémio Rosa Maria Martelo (professora da Universidade do Porto), Abel Barros Baptista (professor da Universidade Nova de Lisboa), por Portugal, a escritora Edla Van Steen e o professor António Carlos Secchin, pelo Brasil e, em representação dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) a professora Inocência Mata e a escritora Ana Paula Tavares.

No ano passado, o galardão distinguiu o poeta brasileiro Ferreira Gullar e nos anos anteriores foi entregue ao cabo-verdiano Arménio Vieira (2009), ao brasileiro João Ubaldo Ribeiro (2008) e ao português António Lobo Antunes (2007).

Miguel Torga foi o vencedor da primeira edição do prémio, em 1989.

"Inventividade e originalidade"

Para a escolha de Manuel António Pina como vencedor do Prémio Camões 2011 os jurados tiveram em conta a "inventividade e a originalidade" de sua obra, afirmou o membro brasileiro do júri António Carlos Secchin.

"Pina nos parece um escritor altamente qualificado nos diversos campos em que actua, em especial em suas poesias, para adultos e crianças, que possuem alto grau de inventividade e originalidade", opinou o jurado.

Secchin, que ao lado da escritora Edla Van Steen, representa o júri brasileiro, contou que a decisão foi tomada por "consenso", e que desde que o nome de Pina foi sugerido, tornou-se o preferido, sem necessidade de maiores disputas.

"Outros nomes foram citados, mas assim que o nome de Pina foi lançado, conseguiu uma aprovação geral", relata Secchin.

António Secchin explicou que para a decisão também foram considerados os trabalhos do autor noutras áreas da literatura, incluindo os seus textos como cronista, dramaturgo e romancista.

Secchin destacou ainda que os trabalhos do poeta português ainda não foram publicados no Brasil, o que espera venha a acontecer após o anúncio do prémio.

O representante brasileiro confessou que o facto de há três anos o prémio Camões não ser entregue a um autor português também foi levado em conta na hora da decisão. "Achávamos também que Portugal, que estava há vários anos sem receber o prémio, merecia a homenagem", admitiu.

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