Música

Proibir telemóveis: Uma questão de "controlo da marca"

Proibir telemóveis: Uma questão de "controlo da marca"

Músicos defendem que telemóveis tornam espectadores "mais passivos".

As motivações dos artistas que aderiram até agora ao movimento antitelemóveis não são todas idênticas. Para muitos, como os Lumineers, o boicote pretende ser, acima de tudo, um grito de alerta face ao que consideram ser "um défice de fruição do espectador" quando utiliza compulsivamente o seu aparelho telefónico durante os concertos. Wesley Shultz, vocalista e guitarrista da banda de "indie folk" oriunda de Denver, EUA, defendeu que os telemóveis "estão a arruinar a atmosfera" e a tornar os espectadores "mais passivos".

Críticas corroboradas por Jack White, corrosivo quanto ao facto de "as pessoas já não baterem palmas nos concertos, porque estão a enviar mensagens com uma mão e têm uma bebida na outra".

De natureza bem diversa parece ter sido o objetivo da proibição decretada pelo rapper Kendrick Lamar, extensiva apenas a fotógrafos profissionais. O objetivo é claro: a proteção da sua marca, garantindo um controlo mais efetivo sobre as receitas geradas nos seus espetáculos ao vivo.

Os média interessados em reproduzir imagens das atuações de Kendrick deverão socorrer-se das que são tiradas pelo seu próprio staff, devidamente taxadas,

Mudar o paradigma

O intuito da medida vai ao encontro da tese defendida pelo produtor e compositor Tozé Brito, para quem a batalha antitelemóveis "é apenas o reflexo de uma guerra iniciada há 20 anos com o surgimento da Internet e do Napster, que veio mudar de forma radical o paradigma do negócio em que assentava a indústria da música".

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