Cannes

Quinzena dos Realizadores e Semana da Crítica abriram portas

Quinzena dos Realizadores e Semana da Crítica abriram portas

As duas secções paralelas do Festival de Cannes, onde passam curtas portuguesas, tiveram esta terça-feira as sessões de abertura

Organizada pela SRF, o sindicato dos realizadores franceses, a Quinzena dos Realizadores surgiu pela primeira vez em 1969, como resposta aos acontecimentos de maio do ano anterior, que levaram mesmo à interrupção do Festival de Cannes. Um pouco mais antiga, festejando este ano a 58ª edição, a Semana da Crítica é organizada pelo sindicato de críticos de cinema franceses.

É nestas duas secções paralelas do festival que passam as curtas-metragens portuguesas, da autoria de Gabriel Abrantes (na Quinzena) e de Sofia Bost e Cristèle Alves Meira (na Quinzena). E o programa de ambas as secções, que têm início um dia depois da cerimónia de abertura oficial do festival, para não lhes fazer concorrência, tiveram pois início ontem à noite.

A Quinzena abriu com "Le Daim", de Quentin Dupieux, um cineasta que realizou por exemplo o filme de terror bem original "Rubber", uma coprodução entre França e Angola, e que neste seu novo filme se centra numa personagem tão obcecada pelo seu blusão em pele de veado que acaba por ver a sua vida destruída e virada para o crime.

Mas o momento alto da sessão foi a entrega do prémio especial da Quinzena, a Carrosse d"Or a um dos grandes cineastas vivos, John Carpenter, que ao início da tarde teve um encontro com o público e de que se viu também um dos seus filmes mais apreciados, "The Thing", que em Portugal se chamou "Veio do Outro Mundo".

Por seu lado, a Semana da Crítica abriu com um excelente filme colombiano, "Litigante", de Franco Lolli. Passado na nervosa cidade de Bogotá, o filme centra-se na história de uma mãe solteira, uma advogada que se vê entre a perda inelutável da mãe, que se debate com uma doença incurável, e um caso que defende ligado a um escândalo de corrupção. Nesse momento difícil da sua vida, descobre de novo o amor, de que há muito se encontrava afastada. Mais um exemplo do cinema vivo e criativo que nos chega com regularidade de países da América Latina.

Quanto à Competição, e depois do completo fisaco de "The Dead Don"t Die", a comédia de zombies de Jim Jarmush, houve uma certa reconciliação com o cinema, através de "Les Misérables", do francês Ladj Ly. Pegando e expandindo uma curta-metragem que já obtivera enorme sucesso, com o mesmo nome e a mesma equipa artística, o filme confronta uma unidade especial a polícia com a marginalidade de um bairro dos arredores de Paris, com a história a ter o ponto de partida quando um garoto filma inadvertidamente com o seu drone uma ação dos polícias que correra mal.

Pegando nas palavras de Victor Hugo, o que o filme de Ladj Ly nos diz afinal é que, mesmo se estamos numa história dos "bons" contra os "maus", embora se possa também dizer que são afinal "maus" contra "maus", o problema não está nas pessoas mas nas circunstâncias que os fizeram assim. E o realizador tem o grande mérito de nos colocar desde o início bem dentro dos ambientes que filme e que mostra bem conhecer.

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