Cultura

Receber Nobel é fantástico e perturbador, diz escritora

Receber Nobel é fantástico e perturbador, diz escritora

Apesar de ter surgido entre os favoritos, a escritora bielorrussa Svetlana Aleksievitch mostrou-se surpreendida por ter sido distinguida com o Nobel da Literatura 2015.

Em declarações por telefone à televisão pública sueca SVT, Svetlana Aleksievitch, 67 anos, disse que conquistar o Nobel da Literatura é "uma sensação fantástica, mas, ao mesmo tempo, um pouco perturbadora".

"Penso de imediato em grandes nomes como Bunin Pasternak", disse, referindo-se a Boris Pasternak, poeta e romancista russo, autor de "Dr. Jivago", distinguido com o Nobel da Literatura em 1958.

Ao jornal "Svenska Dagbladet", a autora explicou que, pessoalmente, o galardão ser-lhe-á favorável: "Significa que já não será tão fácil os poderosos da Bielorrússia e da Rússia repudiarem-me com um gesto".

Svetlana Aleksievitch é a primeira jornalista mulher a ser distinguida com o Nobel da Literatura e receberá o galardão, no valor de 860 mil euros, a 10 de dezembro, em Estocolmo.

No anúncio, a Academia Sueca elogiou Svetlana Aleksievitch pela escrita "polifónica, um monumento ao sofrimento e à coragem no nosso tempo".

A academia refere que, devido às posições políticas críticas ao regime, Aleksievitch viveu exilada na Itália, França, Alemanha e Suécia.

Nascida sob bandeira soviética, em Ivano-Frankovsk, na Ucrânia, Svetlana Aleksievitch é filha de um militar bielorrusso e mãe ucraniana. Entre 1967 e 1972, a autora estudou jornalismo na Universidade de Minsk.

Os seus livros estão traduzidos em 22 línguas e alguns foram já adaptados para cinema e teatro.

Em 2013 foi distinguida com o Prémio Médicis Ensaio pela obra "O fim do homem soviético", que encerra uma série de cinco volumes intitulada "Vozes da utopia", na qual aborda a ex-União Soviética (URSS) e a sua queda, numa perspetiva individual. Este livro foi publicado este ano em Portugal, pela Porto Editora.

A série foi iniciada com "A guerra não tem o rosto de uma mulher" (tradução livre), primeiro livro da autora e que se baseia em entrevistas a centenas de mulheres que participaram na II Guerra Mundial (1939-45).

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