Rock in Rio

A máquina de debitar canções dos Maroon 5

A máquina de debitar canções dos Maroon 5

Fenómeno de sucesso, os Maroon 5 levaram ao delírio as 85 mil pessoas que, no sábado, encheram o Parque da Bela Vista.

A banda liderada por Adam Lavine - que já havia pisado o Palco Mundo em 2012 - regressou para brindar o público com um alinhamento repleto de êxitos. "Animals", do último trabalho, "V" (2014), deu o pontapé de saída e mesmo antes de soarem os primeiros acordes já a banda era ovacionada.

Sem artifícios nem comentários, e sempre em alta rotação acompanhada pelo público, Lavine seguiu para "One more night", "Stereo hearts", "Harder to breathe", "Lucky strike" e "Wake up call". A máquina dos Maroon 5 está bem oleada e as canções surgem em catadupa, acompanhadas, quase sempre, por milhares de vozes que parecem conhecer todo o repertório da banda.

Só antes de atacar o sétimo tema é que Levine se dirigiu à multidão: "Nós adoramos-vos. Obrigada por nos receberem de novo". E o mar de gente que enchia o recinto rejubilou. "Love somebody" e "This love" foram sucessos garantidos e se dúvidas houvesse quanto à devoção do público português aos Maroon 5, ou da eficácia das suas canções pop rock, esta noite teriam ficado desfeitas.

Em palco, tudo gravita em torno de Adam Levine, cujo profissionalismo inatacável esbarra, por vezes, com uma notória falta de espontaneidade. Detalhes, a contar pelo entusiasmo gerado no público canção atrás de canção. "Sunday morning" e "Payphone" voltaram a dar asas a coros generosos e os elogios não se fizeram esperar: "Vocês sabem bem todas as canções."

"Lost Stars", single a solo, foi a primeira canção a ser servida no encore, abrindo espaço para o deleite coletivo com "She will be loved, "Moves like Jagger" e "Sugar".

Ivete Sangalo: "Eu sou o fogo que Lisboa precisava"

"Vamos esquentá", espicaçou ela, enquanto a chuva ameaçava arrefecer 85 mil à sua frente. E a verdade que ela espalhou brasas: Ivete Sangalo, ciclone da Bahia, é um case study no domínio das massas - a mulher sabe muito bem como deixar uma multidão amalucada, como motivar o mais constrangido para a dança, como chegar ali e armar a farra.

"Tira o pé do chão oh oh oh alegriáá", chilreava, imparável, a fazer sprints de um lado ao outro do palco, a tentar não escorregar com os sapatos no piso encharcado. Até que não esteve com meias medidas e descalçou-se mesmo, assim, à valente. E a concha humana de muitos mil à sua frente ondulava num impressionante serpear de cabeças aos pinchos e braços oscilantes em movimento de limpa para-brisas.

"Eu sou o fogo que Lisboa precisava", declarou ela, a mostrar a pernoca, toda pintas, alto decote, vestido reluzente, sorriso vistoso, toda ela ofuscante. Ivete disparou "Arerê", "Faraó", "O farol" e a inevitável "Poeira". Ninguém permaneceu quieto durante mais de uma hora. Até se viam sujeitos que dançavam enquanto equilibravam caixas de pizzas familiares. Ela parou a chuva, do céu não chegou mais água - e no final ocorreu uma explosão de cor, fogo-de-artifício a estalar na troposfera de Chelas.

A música solheira dos Real Estate em dia de chuva

Os Real Estate são uns meninos queridos da nação indie e é justo que tal suceda: aquela música constrói-se com guitarras deleitáveis a abarrotar de sol e linhas melódicas capazes de nos elevar a mente enquanto se espalham pelas nossas células. Acontece que desatou a chover precisamente no momento em que eles subiram ao palco Vodafone. Só lá permaneceram os mais militantes.

A dada altura o céu estalou num catraboum ainda maior e o choro foi ainda mais violento - e enquanto uns corriam para debaixo das árvores, os americanos agradeciam aos que ficavam e lançavam centenas de impermeáveis ao público. De maneira que num ápice aquela gente se empacotou em plástico azul e oscilou o tronco ao som daquela música serpenteante, soalheira.

Foi um belo momento, provavelmente o mais emocionante de todo o festival a seguir à muito relevante aparição de Biba Pittá no backstage do palco Street Dance às 19.30 horas de sábado, solenidade que até foi anunciada com pompa pela organização na sala de imprensa.

D.A.M.A ensopam corações no Rock in Rio

A chuva não perdoou, mas o público não arredou pé. Os D.A.M.A eram um dos grandes responsáveis pela enchente desta noite no Rock in Rio e deixaram o público rendido.

A pop romântica dos D.A.M.A cativou miúdos e graúdos e assim que se fizeram anunciar reinou a euforia no anfiteatro natural do Parque da Bela Vista, à pinha. Arrancaram com "Calma", "Sente a minha magia" e "Desajeitado", quando uma nuvem negra desabou e ensopou a multidão, que abriu os guarda-chuvas, cobriu-se melhor, mas não arredou pé.

"Vocês apanham chuva, nós também apanhamos", gritou Miguel Cristovinho, enquanto caminhavam para a língua de palco que se estende entre o público. A cumplicidade entre os três - Francisco Maria Pereira (Kasha), Miguel Cristovinho e Miguel Coimbra - é, certamente, um dos ingredientes que terá contribuído para a rápida ascensão da banda lisboeta.

Em palco, fazem-se acompanhar por uma banda e um coro, adaptando as canções à grandiosidade de um palco como o do Rock in Rio. E enchem o palco, percorrendo-o de ponta a ponta, puxando pela multidão, elogiando um público que já sabem fiel. "Temos um público do outro mundo", afirmam, referindo-se à fama que o público português tem, mesmo junto dos artistas internacionais.

Conforme anunciado, Gabriel, o Pensador juntou-se à festa para entoar "2345meia78", um clássico celebrado pela multidão que, mesmo debaixo de chuva, não se inibiu de dançar.

"Agora é tarde", um dos singles do último disco, "Dá-me Um Segundo" (2015), foi entoado pelos fãs de todas as idades - vozes adultas e vozinhas infantis -, que sabem de cor os refrães orelhudos das canções que passam em loop nas rádios nacionais. O êxito "Luísa" foi dedicado a todas as mulheres e "Não dá" iluminou todo o Parque da Bela Vista, com as luzes dos telemóveis apontadas ao céu.

Na despedida, Gabriel, o Pensador voltou a juntar-se ao grupo para a muito celebrada "Não faço questão", antes de uma selfie para recordar o que poderá ter sido, sem dúvida, uma das plateias mais numerosas para a qual já tocaram.

Rock in Rio regista a maior enchente desta edição

Pouco tempo depois de as portas abrirem constatou-se uma evidência: este sábado é, para já, o dia com mais gente desta edição do Rock in Rio, que decorre até domingo no Parque da Bela Vista, em Lisboa.

Ao final da tarde até já era difícil circular em determinados pontos do recinto, tamanha a quantidade de multidão que se ia aglomerando. As filas para os stands de brindes e passatempo também nunca foram tão longas como neste dia. E nota-se uma enorme presença de famílias inteiras e muitos grupos de adolescentes - é, também, o dia com mais juventude.

A organização ainda não avançou com números - algo que deverá fazer durante a noite - mas o facto de ser um dia de fim de semana contribui, certamente, para esta impressionante quantidade de público dentro do Parque da Bela Vista. E é claro que uma programação com nomes como D.A.M.A ou Maroon 5, que gozam de enorme popularidade junto dos mais novos, também a isso ajuda.

Foi, portanto, sem estranhar que os Capitão Fausto tiveram a plateia mais composta até agora em frente ao palco Vodafone - um palco secundário erguido numa das extremidades do recinto - e saíram debaixo de um estrondoso aplauso depois de uma atuação em que apresentaram sobretudo canções do novo disco, "Capitão Fausto têm os dias contados".

Entretanto, a organização do festival anunciou a confirmação de uma nova edição em Lisboa para 2018, algo que acontecerá depois da realização de mais um evento no Rio de Janeiro, em setembro de 2017.

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