Cultura

Rui Veloso celebra 30 anos de carreira

Rui Veloso celebra 30 anos de carreira

Há 30 anos, surgiu um disco que, de imediato, se tornou um fenómeno de popularidade. Chamava-se "Ar de rock" e, nele, o estreante Rui Veloso cantava uma canção que marcou a história: "Chico Fininho". De repente, tudo mudou na música portuguesa.

Ao longo das últimas três décadas Rui (Manuel Gaudêncio) Veloso não mais deixou de atrair as atenções gerais, tanto do público como da crítica. Agora, que celebra 30 anos de carreira - com dois concertos, hoje e amanhã, às 21.30 horas, na Casa das Artes, em Famalicão -, demonstra que mantém o encanto e a elegância poético-instrumental que sempre o caracterizaram.

"Quando, em 1980, o Rui se estreou no meu programa televisivo, "Febre de sábado de manhã", protagonizou uma grande mudança no meio musical português. Não tive dúvidas nenhumas disso mal vi a maneira como, já na altura, tocava brilhantemente guitarra", recorda Júlio Isidro. Mas essa marcante reviravolta musical, acrescenta, "nunca poderia ter acontecido sem as letras do Carlos Tê. Sim, porque Rui Veloso e Carlos Tê não são dois, são um".

Rui e Carlos

"Falar do Rui Veloso sem se falar do Carlos Tê é crime de lesa-pátria", corrobora Tó Zé Brito, que, na altura do lançamento de "Ar de rock", era um dos responsáveis da editora Polygram.

Júlio Isidro vai mais longe na apreciação. "Só foi possível ao Rui cantar temas como "A rapariguinha do shopping" porque alguém como o Carlos Tê teve a capacidade rara de observar a realidade do país. E isto independentemente de considerar que o Rui é um compositor fantástico". Para o apresentador de televisão, que nesta semana assinalou 50 anos de carreira, "o resultado da dupla Rui Veloso/Carlos Tê é extraordinário. Semelhante a outros resultados igualmente admiráveis, como Fernando Tordo/Ary dos Santos, ou, a nível internacional, Burt Bacharach e Hal David. São casos de acasalamento musical fora de série".

De regresso às memórias musicais dos anos 80, Tó Zé Brito, que nesse ano gravara o tema "Olá, então como vais?", em parceria com Paulo de Carvalho, lembra que "o Rui, quando apareceu, foi uma pedrada no charco. Revelou-se com um tipo de música completamente diferente daquilo que se estava a fazer. É absolutamente brilhante. Embora o associem muito ao "Chico Fininho", ele era muito mais do que isso. Basta ouvir-se com atenção canções como "Sei de uma camponesa" (uma das minhas preferidas) ou "Porto sentido" para se perceber a importância das letras fantásticas do Carlos Tê".

Júlio Isidro, que, inúmeras vezes, ao longo dos anos, convidou o cantor/guitarrista para os seus programas, defende a ideia de que "Rui Veloso foi o mentor e o catalizador de um movimento de jovem música portuguesa". E adianta: "Não gosto do termo 'pai do rock', que muitas vezes se lhe atribui. Se o ouvirmos, vamos concluir que ele é um compositor que faz música portuguesa moderna. Tem alguns temas inspirados no movimento rock, mas nem são muitos. Se pensarmos bem,os maiores êxitos da sua carreira, aqueles que toda a gente canta em coro, são as baladas". Opinião semelhante tem Tó Zé Brito. "Hoje em dia, quando vamos ver um concerto dele, percebemos que são as baladas que mais fazem o público vibrar. O Rui rodeou-se de excelentes músicos e bons produtores. Isso também faz a diferença, aliado ao facto de ele ter uma boa voz e ser um inspiradíssimo compositor".

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