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"Salão dos Recusados" quer refletir sobre programação com artistas rejeitados no Porto

"Salão dos Recusados" quer refletir sobre programação com artistas rejeitados no Porto

Os artistas com projetos rejeitados pelo Teatro Municipal do Porto desde 2014 têm até hoje oportunidade para recandidatarem as propostas no âmbito do projeto "Salão dos Recusados", para uma "discussão lata, sem programas, nem premissas", segundo o regulamento.

"Estamos à procura de todos os artistas individuais ou coletivos que tenham apresentado propostas culturais ou artísticas ao Teatro Municipal do Porto, desde 2014, e que não tenham sido ali programadas, coproduzidas, ou acolhidas", lê-se na página da Internet do projeto "Salão dos Recusados", que se insere na iniciativa mais alargada com o título "(Des)Ocupação" e que se trata de uma encomenda feita pelo Teatro Municipal do Porto ao coletivo A Grande Figura.

O desafio lançado, que incluiu a procura de candidatos através da afixação de cartazes pelas ruas do Porto, pretende "refletir acerca das habituais lógicas de gestão, programação e curadoria de centros culturais para dar espaço a uma discussão aberta" e abrir o espaço físico do Teatro Rivoli a "todos os que não viram os seus projetos programados desde a sua reabertura com gestão municipal, são alguns dos objetivos enunciados no Regulamento de Participação do Salão dos Recusados".

Todos os artistas que tenham apresentado propostas ao Teatro Municipal do Porto de conteúdo artístico ou cultural, desde 2014 e que não tenham sido programadas, acolhidas, coproduzidas pela entidade podem participar no "Salão dos Recusados", que agendou o resultado para o dia 21 de setembro no Teatro Municipal Rivoli.

O projeto garante que quem decidir participar não terá de se sujeitar à "apreciação da sua proposta de apresentação em nenhuma fase do processo de seleção", assegurando: "Não iremos receber, nem ler, nem sequer consultar nenhuma das propostas enviadas originalmente por altura do contacto com o Teatro Municipal do Porto. O repto que lançamos agora não tem nada a ver com a proposta enviada, destina-se apenas aos artistas que a tenham apresentado, seja ela qual for. "

O fim do prazo para o envio das propostas é hoje, às 23:59, e no sábado os participantes que tenham submetido o formulário vão receber uma confirmação da inscrição e receber a informação do valor monetário que vai ser entregue dia 27 de junho na "caixa proposta indecente" para desenvolverem o projeto.

"O conteúdo da proposta é livre. Não é suposto fazerem um espetáculo. Mas podem fazer um espetáculo. De resto, os limites estão ali, bem delimitados: temos um tempo, temos um espaço, temos um valor (e teremos normas de segurança)", acrescentam.

A quantia disponível para o "Salão dos Recusados" é de 10.500 euros e o valor é para ser distribuído "equitativamente por todos os participantes", refere o mesmo documento.

A organização do projeto optou pelo nome "Proposta indecente" porque "o desafio consiste em desafiar as atitudes bem-comportadas, ditas 'decentes', diante das instituições responsáveis e, nota importante!, porque o valor monetário a constar de cada caixa será realmente indecente".

O "Salão dos Recusados" no Porto surge como uma referência ao Salão dos Recusados em Paris, uma exposição que remete para o século XIX e que surgiu em paralelo ao Salão de Paris 1863, onde foram expostas obras de arte recusadas no Salão de Paris e que era destinado aos artistas membros da Real Academia Francesa de Pintura e Escultura.

O projeto "(Des)Ocupação" vai decorrer no Rivoli nos dias 27 de junho, 13 e 20 de julho, 31 de agosto e 20, 21 e 22 de setembro.

O Teatro Municipal do Porto é "responsável pela encomenda do projeto (DES)Ocupação", mas "não participa nem influencia o seu conteúdo e proposta artística ", lê-se no artigo 2º do Regulamento de participação do salão.

A Lusa pediu esclarecimentos adicionais ao coletivo responsável e ao Teatro Municipal do Porto, mas não obteve qualquer resposta.