Cultura

Sete canções para os 70 anos de Marco Paulo

Sete canções para os 70 anos de Marco Paulo

É uma figura incontornável da cultura popular portuguesa das últimas décadas. Marco Paulo, multiplatinado cantor, sopra, esta quarta-feira, 70 velas. "Os meus telefones não vão parar de tocar", confessou em entrevista ao JN, que pode ler na versão e-paper ou edição impressa.

Para assinalar a data e lembrar pérolas da sua vasta discografia, aqui ficam sete canções que ajudaram o cantor a afirmar-se como um dos mais aclamados da música popular.

"Tu és mulher não és uma santa" - É um single de 1972 que já evidenciava a postura galanteadora do romântico cantor que tentava lutar contra a indiferença da mulher cortejada. "Teu porte altivo quase nos insulta/ és assunto de muitas conversas/ os teus segredos de mulher adulta/ nem às quatro paredes confessas", cantava ele. Curiosamente, este lado B criou maior êxito que a canção do lado A - "Fala amorosamente" - uma versão de um dos temas da banda sonora de "O padrinho", da autoria de Nino Rota.

"Eu tenho dois amores" - É o seu maior êxito e a primeira canção que nos vem à cabeça quando se pensa em Marco Paulo. Editada em 1980, vendeu quase 200 mil cópias e eternizou-se no imaginário português. A letra volta a revelar a conduta enamorada do artista, ao manifestar paixão por duas mulheres em simultâneo e a acabar por fazer uma apologia da poligamia. "Meu coração continua/ sem saber o que fazer/ é melhor amar as duas/ sem uma de outra saber", ouve-se, reforçando-se a ideia logo a seguir: "Que este encanto não se acabe/ e eu já pensei tanta vez/ pois enquanto ninguém sabe/ somos felizes os três". Nos anos mais recentes, Marco Paulo já admitiu mais do que uma vez que não se identifica muito com a letra e que apenas continua a cantá-la porque as pessoas pedem.

"Anita" - Surgiu em 1982 quando o cantor já estava consagrado. Marco Paulo inova ao introduzir estrangeirismos - "é linda de blue-jeans e blusão de cetim" - mas permanece com a postura de conquistador com o radar sempre ligado: "Quando vai dançar, a gente tem de olhar". A letra reflecte uma certa frustração face à indiferença de uma moça que "namoros não tem, perde o tempo a estudar". Aliás, há depreciadores que alegam que tal configura um convite ao abandono escolar.

"Morena morenita" - Êxito de 1984 que mostra Marco Paulo embrenhado num bucolismo - "lá vai cantando/ por entre os trigais/ com cigarras/ e pardais" - e a repisar o seu arrebatamento por uma jovem donzela, neste caso uma morena de "olhos mais verdes/ que o campo que é seu". Pense-se em Irina Shayk.

"Só falei para te dizer que te amo" - Em 1984, Stevie Wonder encantou o mundo com "I just call to say I love you". Marco Paulo lembrou-se de gravou uma versão portuguesa. O brasileiro Gilberto Gil também fez o mesmo.

"Joana" - Por cima de uma base instrumental que bebe influências de toda a escola da synthpop que fez furor nessa década (a canção é de 1988), a canção parece reflectir um espírito quase fadista ao manifestar um certo dramatismo na constatação da impossibilidade do amor com uma Joana.

"Taras e manias" - Canção de 1991 que também se tornou num dos seus maiores êxitos: teve cinco discos de platina com mais de 160 mil discos vendidos. É a famosa canção da "menina levada para a brincadeira" que "não tem um pingo de vergonha e todo homem sonha" até porque é "uma lady na mesa, uma louca na cama". "Me agarra, me morde, me arranha", canta ele, revelando subtis influências da atitude dos Velvet Underground quando gravaram "Venus in furs", uma canção inspirada no livro do austríaco Leopold von Sacher-Masoch e que explora temas como o sadomasoquismo e a dominação feminina.

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