NOS Alive

​​​​​​​Smashing Pumpkins voltaram a ser felizes em Portugal

​​​​​​​Smashing Pumpkins voltaram a ser felizes em Portugal

Foi debaixo dos acordes austeros da música Saraband, do compositor alemão Handel, que os Smashing Pumpkins entraram no palco principal do NOS Alive. Lembraram Cascais 1996 onde também foram felizes.

Três bonecos gigantes, uma espécie de brinquedos de madeira antigos compunham o cenário, diante de uma plateia que lotou quase por completo o relvado central do recinto. O vocalista Billy Corgan apresentou-se num estilo taciturno, com uma batina negra até aos pés, e foi com "Siva" do álbum "Gish" (1991), que começou a viagem pelo vasto repertório da icónica banda de Chicago.

Cerca de uma hora e meia de concerto que teve o primeiro grande momento logo no segundo passo do alinhamento, com o tema "Zero". As pulsações elevaram-se com "Bullet with Butterfly Wings" e a comunhão total com o público aconteceu já quase no final do concerto, com os temas "1979", "Tonight, Tonight" e por último "Today" do álbum Siamese Dream (1993) cantados em uníssono pela plateia.

No final, Billy Corgan deambulou pelo palco solenemente agradecendo com calma ao público português, que já no final do concerto referiu "como um dos melhores públicos do mundo", recordando o concerto de 1996, em Cascais, como um dos melhores da sua vida.

Smashing Pumpkins amealhou grande parte do público do festival e registou aquela que porventura foi a maior enchente dos três dias. Do lado oposto, era Thom Yorke quem estava com menos público, mas nem por isso deixou de nos proporcionar um espetáculo artisticamente histórico, pois rasgou todos os conceitos de concerto até então manifestados pelos músicos que passaram pelo festival.

Na inteligente libertação de Thom Yorke, a arte sorriu

No caminho Sul para o palco Sagres, há um letreiro iluminado a rosa que diz "nunca páres de sonhar". Quem o pôs ali mal imaginaria que a mensagem era uma espécie de prenúncio para o que veríamos de Thom Yorke, uns metros mais à frente, no último dia do NOS Alive.

A arte de Yorke com Nigel Godrich e Tarik Barri estreou em Portugal já depois da meia-noite e foi uma espécie de sonho eterno através de uma inteligência artística fina onde aquele inglês de 50 anos conhecido por ser o vocalista de Radiohead nos levou numa ode à libertação. Ali todos dançavam como se estivessem sozinhos no momento em que encontram um oásis. Livres sem correntes, ao lado de um Yorke vagueia pelo novo disco, Anima, menos depressivo e mais cerebral, propício a explorar as dimensões da cultura do Club.

Não é à toa que ainda não chamamos concerto àquilo que vimos naquela tenda, é que a geometria artística de Yorke não é só musical. Também não foi um DJ ou VJ set, mas foi tudo isso. É um cubo de várias faces onde a música tem lugar, mas deixa de fazer sentido sem a dança descomprometida de Yorke, sem as atmosferas progressivas do produtor Nigel Godrich ou o abstracionismo psicadélico projetado pelo artista visual Tarik Barri.

Este compositor visual e programador de informática artística sabe ser minimalista na escolha das cores (como em "Harrowdown Hill"), mas também mostra os contrastes entre preto e branco em jogos de sombras, ou misturas disformes de cores e objetos que derretem ou se sobrepõem.

Do álbum Anima, terceiro de Thom Yorke neste formato, ouvimos a "Impossible Knots" com que abriu o espetáculo, mais o piano incrível de "Not the News" e a dupla "Traffic/Twist", com que saíram do palco. O encore aconteceu depois do público implorar uns bons dois minutos e alguns já saíam do recinto, mas Thom regressa e sorri.

Sentimo-lo livre. É um sorrido tímido, de sobrancelha esquerda erguida e mãos no ar a agradecer, enquanto se senta ao sintetizador para "Down Chorus", onde nos fala sobre más escolhas e apela à coragem para tomarmos decisões das quais temos receio. Foi a última de Anima, mas ainda havia mais dois temas.

"Atoms for Peace", do álbum The Eraser, foi a segunda de três do encore. O tema tem o nome do projeto anterior de Yorke do qual saiu o álbum AMOK onde consta a "Default" com que se despediram, desta vez definitivamente, do sonho de ontem.

De volta ao palco principal, a noite acabou com uma autêntica "rave" de Chemical Brothers onde não faltaram muitos laser, os principais êxitos e milhares de pessoas a dançar de forma entusiástica.

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