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Vinhos: Mundo inteiro no Douro

Vinhos: Mundo inteiro no Douro

Dois vinhos que nasceram nas montanhas da região mas com diferentes identidades

O pedido de selecionar dois vinhos chegou-me condicionado: "um até dez euros, nenhum pode ser do próprio". Pedido inteligente. O jornal garante um vinho cujo preço o adequa a uma ocasião despretensiosa e previne que se puxe do provérbio "gaba-te, cesta rota, que vais para a vindima".

Eis a minha escolha: "Taylor"s Porto Tawny 20 anos" e "Mafarrico Tinto 2015". Um representa a antiquíssima denominação de origem Porto, o outro encaixa na recente denominação Douro. Nisso parecem "pai e debutante" no dia de apresentação à sociedade.

Ambos nasceram entre as montanhas do Douro, mas distingue-os a identidade geográfica secundária. O vinho do Porto correu despreocupado a Demarcação de lés a lés, ao passo que o Mafarrico se subordinou à vontade do Baixo-Corgo. Une-os um pormenor tocante: nenhum exibe com alarido moderno as variedades de uva que o faz, mas os dois exploram a vantagem da sua multiplicidade. Tamanho bom senso há-de sobressair no dia em que se confirmar o augúrio climático que nos aflige. Tratam-se, todavia, de vinhos com génese diferente - e isso confirma caber o Mundo vinícola inteiro na concha do Alto Douro, onde o vinho do Porto ocupa sem concorrência o extremo climático mais árido, sem que o Mafarrico simbolize o extremo oposto. Um bom espumante de Lamego ou Alijó representá-lo-ia melhor.

Porto Tawny 20 anos | Taylor's

O vinho da Taylor"s é delicioso. Para mim, acerta o padrão de um Porto Tawny 20 anos, devidamente aprimorado nas caves de Gaia. Devo-lhe uns quantos jantares prolongados pela noite dentro. Nunca me sobrou. Se fosse o caso, guardava-o de novo na porta do frigorífico.

Mafarrico Tinto 2015 | Álvaro Martinho Dias Lopes

Por sua vez, o Mafarrico é a expressão nua e crua do território em que nasce. Um vinho autêntico, puro, que retrata bem o vinicultor Álvaro Martinho Lopes e demonstra assim ser possível vinicultor e vinho terem o mesmo caráter.

Todos os domingos, na edição impressa, o JN faz sugestões de vinhos