Festival de Cannes

Violência explícita no filme de Lars Von Trier choca público

Violência explícita no filme de Lars Von Trier choca público

Mais de 100 pessoas saíram mais cedo da exibição do filme "The House That Jack Built", em Cannes, devido às cenas de mutilação e de assassinato de crianças.

Esta é a obra mais recente de Lars Von Trier, diretor dinamarquês, e conta a história de um assassino em série durante várias décadas. Segundo o "The Guardian", antes da estreia, Thierry Frémaux, diretor do Festival de Cannes, avançou que o filme teria cenas de violência sádica e brutalidade e que apresentava "um assunto tão controverso" que só poderia aparecer em um espaço fora de competição no festival.

As informações avançadas foram confirmadas quando a rede de entretenimento "Variety" noticiou a saída de mais de 100 pessoas a meio do filme, devido ao seu conteúdo "repugnante".

Alguns espectadores recorreram ao Twitter para mostrar a sua insatisfação. "Bruto. Pretensioso. Vomitivo. Torturante. Patético", escreveu um. Roger Friedman, repórter, descreveu o filme como "abominável" e que "não devia ter sido realizado".

Ao "Vulture", um espetador disse que "ele mutila Riley Keough, ele mutila crianças... e nós estamos todos lá vestidos formalmente a assistir?". Charlie Angela, repórter da "Al Jazeera", escreveu que também tinha saído antes de o filme terminar, porque "ver crianças a ser baleadas e mortas não é arte nem entretenimento".

A cena que provocou a maioria das saídas foi quando a personagem de Matt Dillon dispara na cabeça de duas crianças com uma espingarda durante um piquenique de família. Noutra cena, uma dos seios da personagem de Riley Keogh é cortado, enquanto uma cena de flashback mostra uma criança a remover a perna de um pato com um alicate. São ainda mostradas imagens de arquivos dos campos de concentração.

Este ano, Lars Von Trier voltou ao festival, após ter sido banido numa conferência de imprensa em 2011, onde o diretor fez piadas sobre simpatizar com os Nazis. Na altura, o festival de Cannes considerou os comentários de Von Trier "inaceitáveis, intoleráveis e contrários aos ideais de humanidade e generosidade que preside a existência do festival".

Contudo, em abril deste ano, Cannes revogou a proibição, tendo Frémaux dito que aquela era uma "punição desproporcional e que durou o suficiente". Essa decisão foi recebida negativamente em alguns lugares, com os críticos apontando as alegações feitas por Björk, cantora e compositora, que acusou Von Trier de a assediar sexualmente no set do filme "Dancer in the Dark". Von Trier nega as alegações.

As críticas ao filme "The House That Jack Build" têm sido negativas. No entanto, o filme foi aplaudido de pé na estreia em Cannes, segundo o repórter Ramin Setoodeh.

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