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Jazz em ebulição no Festival Músicas do Mundo

Jazz em ebulição no Festival Músicas do Mundo

Nubya Garcia e Melanie de Biasio apontaram novas direções para o jazz contemporâneo, esta quarta-feira, no Castelo de Sines. Abertura dos portões coube ao Ethno Portugal, orquestra de 26 países com sede em Castelo de Vide.

"É a primeira vez que atuamos com chuva", disse Nubya Garcia, um dos cometas da nova cena jazz londrina, durante o seu espetáculo no Castelo de Sines, esta quarta-feira. E, de facto, acontecem muitas coisas na capital portuguesa da "world music" - de concertos espontâneos em cada esquina a festas selvagens pela madrugada dentro -, mas a chuva, ou, no caso, a morrinha, não costuma ser uma delas.

Nada que atrapalhasse a saxofonista que se estreou, em 2017, com "Nubya"s 5ive", e que rapidamente atraiu a atenção do influente radialista inglês Gilles Peterson. Ao lado dos Sons of Kemet, grupo que atuou no mesmo palco de Sines em 2018, Nubya Garcia lidera uma nova vaga de jazz mestiço, que colhe elementos de música africana, indiana ou caribenha, mas também sonoridades urbanas como o hip hop ou o grime.

Talvez não atinja os píncaros de intensidade dos autores do magistral "Your queen is a reptile" (2018), mas o saxofone de Nubya, enquadrado por teclas, bateria e contrabaixo, funciona como uma espécie de vocalista que marca todas as temperaturas e tempos do conjunto. Ora toma o protagonismo, ora se retira para deixar pulsar os outros instrumentos. Ora assume um ritmo frenético, ora cai em suspensão hipnótica. É um jazz apoiado em clássicos, mas que não cabe em nenhuma baia, alarga-se para territórios novos e improváveis.

Um pouco antes, no mesmo palco, atuara a belga Melanie de Biasio, que se apropria também do jazz, mas de forma sussurrada e intimista, aproximando-se da pop ambiental e do trip hop. Duas belas abordagens a um género que continua a crescer e a reinventar-se passados mais de 100 anos.

De Castelo de Vide para o mundo

Ao início da tarde, teve lugar o concerto de abertura no Castelo de Sines, momento que assinala a entrada do Festival Músicas do Mundo (FMM) na sua fase decisiva, com espetáculos diários, até sábado, entre as 18 horas e a alta madrugada. O espetáculo foi uma bela síntese do certame que nasceu em 1999, juntando em palco 50 músicos e 10 bailarinos de 26 países no projeto Ethno Portugal, que tem sede em Castelo de Vide.

Desde 2014 que a vila do Alto Alentejo é o epicentro deste encontro que chama jovens músicos de todas as latitudes e continentes para 10 dias de ensaios e três espetáculos (este ano, além de Sines, o coletivo atuou em Évora e Castelo de Vide). O ensemble gigantesco junta instrumentos como violinos e violoncelos, guitarras e ukelele, flautas e acordeões, para interpretar peças oriundas dos países de cada um dos representantes. Pelo palco de Sines passaram recriações globais de temas da Grécia, Suécia, Índia, Argentina ou Portugal, gerando-se o festim cultural que é a matriz do FMM.

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