"Político"

Joana Vasconcelos entre as figuras que mais vão influenciar futuro da Europa

Joana Vasconcelos entre as figuras que mais vão influenciar futuro da Europa

A artista plástica portuguesa Joana Vasconcelos figura no 6º lugar da lista de personalidades que mais vão influenciar o futuro da Europa em 2019, elegeu o site "Político".

Todos os anos a edição europeia do site escolhe 28 personalidades que marcam as tendências atuais e desenham o futuro do continente. Este ano, a eleição foi dividida em três categorias: fazedores, sonhadores e disruptivos. Joana Vasconcelos, 46 anos, que vai inaugurar uma exposição individual no Museu de Serralves, no Porto, no dia 13 de Fevereiro de 2019, é considerada uma sonhadora.

O portal descreve a atividade frenética do atelier da artista, nas docas de Lisboa, onde trabalham mais de 50 arquitetos, costureiras, carpinteiros, bordadeiras e rendilheiras, soldadores, engenheiros e eletricistas. São estes artistas anónimos que ajudam a autora cuja marca autoral é a escultura de grande escala, bem como a cerâmica envolta em renda, a espalhar o seu trabalho pelas galerias e espaços públicos de toda a Europa. Recorde-se que ainda agora encerrou a mostra que teve patente no Museu Guggenheim de Bilbau.

A arte de Joana Vasconcelos, escreve o "Político", tem sido descrita como barroca, pop, surrealista, feminista e de inspiração enraizada na tradição do artesanato português, balizado pelo têxtil, a cerâmica e o metal. Mas a artista está pouco preocupada com rótulos. "Isso não me interessa. Interessa-me saber que posso comunicar com pessoas do mundo todo e saber que a minha voz vem do espaço europeu", disse.

Reconhecendo que o seu trabalho pode ser visto como "caprichoso" - Edimburgo está prestes a receber uma piscina incrustada com azulejos portugueses multicoloridos -, o site nota também que se trata de uma obra "politicamente subversiva". E recorda, para o justificar, a primeira obra de Joana Vasconcelos a alcançar sucesso internacional. Foi "The Bride", o candelabro com seis metros de altura concebido com 25 mil tampões e que representou Portugal na Bienal de Veneza de 2005. Ou o sapato de salto alto feito de panelas de aço oxidável, e que está, neste momento, em exposição no Museu de Arte Moderna e Contemporânea, em Estrasburgo, França, numa mostra designada "I Want to Break Free".

Negando encaixar-se em qualquer fronteira ditada pelo país onde vive, Vasconcelos sublinha ter uma perspetiva europeia, fortalecida pela sua experiência internacional. "A Europa é um espaço cultural", insiste. "Já não vivemos nas cidades mas entre cidades. Viver entre cidades é viver no espaço europeu." Em tempos difíceis, continua, os artistas têm um papel crucial. "Somos uma voz que pode ser ouvida, mesmo quando as fronteiras se fecham", diz ela. "Como artista, posso mover-me em diferentes culturas. Sou um exemplo de que uma Europa unida nos permite crescer."

Numa curta entrevista, a artista revela ainda que o Papa Francisco é atualmente a pessoa que mais admira e que poderia ter sido professora de Karaté, se não fosse artista. Acrescenta que gostaria de mudar os direitos dos imigrantes e das mulheres. E deixa uma declaração a propósito do Brexit: "Se perdermos a liberdade do discurso cultural, perdemos o que nos torna únicos entre os outros continentes."

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