Teatro

Jorge Castro Guedes despede-se hoje das tábuas com "Urro" 

Jorge Castro Guedes despede-se hoje das tábuas com "Urro" 

Encenador coloca um ponto final na carreira de ator e dedica-se a novos projetos da Seiva Trupe

Jorge Castro Guedes, homem do teatro, 67 anos, despede-se esta sábado da sua carreira como ator, no Terrasse Elisabete, no Porto, às 19.15 horas. São "48 anos de carreira profissional e 54 contando o tempo de amador", explica ao JN.

O texto escolhido é "Urro", monólogo do dramaturgo Júlio do Carmo Gomes, numa encenação de Rui Spranger. A produção deveria ter várias récitas em dezembro, em Berlim, onde vive o autor do texto, mas a pandemia conseguiu arrancar, mais uma vez, as notas do calendário teatral.

A produção é uma das três razões que o levam à despedida. "Nunca me identifiquei tanto como um texto como com este. Aliás, até me dá inveja de não ter sido eu a escrevê-lo", diz. Mas a personagem deste monólogo não é a única inscrita nas tatuagens da sua memória: "Dr. Stockmann", da obra "O inimigo do povo", de Henrik Ibsen, e "Padre Bernardo", da obra "Santo Inquérito", de Dias Gomes, estão entre as grandes figuras que teve a honra de encarnar.

Se a identificação criou a ocasião perfeita, há também o fator tempo a influenciar. "Devemos retirar-nos quando ainda não temos as nossas capacidades inferiorizadas e não esperar que algum bom amigo nos chame a atenção, ou estar como alguns colegas a fazer ouvidos moucos e tristes figuras, muitas vezes por necessidade".

A terceira razão é o facto de a Seiva Trupe, companhia que dirige desde 2019, "passar a ter um espaço próprio, partilhado e com residências e salas de ensaios, na Sala- Estúdio Perpétuo, em Costa Cabral, a partir de 2023". "Isto vai obrigar-me a um esforço redobrado", especialmente porque pretende fazer uma profunda renovação da companhia. "Oito anos sem espaço próprio deixaram uma mossa muito grande e é preciso recuperar uma imagem", explica.

O ponto final na carreira de ator vai assim potenciar o seu fulgor como diretor e encenador, algo que sempre esteve latente no seu percurso. "Se a minha carreira de ator se fez com 30 espetáculos, já como encenador ultrapassou mais de 100 encenações", sublinha. "Como encenador, ainda estou perfeitamente capaz de fazer mais sete ou oito trabalhos".

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Jorge Castro Guedes regressou ao Porto em 2019 para dirigir a Seiva Trupe, companhia onde se estreou profissionalmente como ator em 1973. Entre 1977 e 1987, dirigiu a companhia TEAR. Posteriormente, foi para Lisboa desempenhar funções de consultor de teatro e séries dramáticas para a RTP2. Foi também autor e apresentador do programa televisivo "Dramazine". Em 1994, ingressou no CDV, Viana do Castelo (antigo Teatro do Noroeste), onde permaneceu 17 anos. Passou também pelo Teatro Universitário do Porto e pelo Casino da Póvoa. Encenou mais de uma centena de peças.

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