Bielorrússia

Jornalista bielorrussa vence Nobel da Literatura

Jornalista bielorrussa vence Nobel da Literatura

A jornalista bielorrussa Svetlana Aleksievitch, de 67 anos, foi distinguida este ano com o prémio Nobel da Literatura.

Svetlana Alexandrovna Aleksievitch, a escritora e jornalista de investigação bielorrussa, nascida em 1948, na Ucrânia, é a 14ª mulher galardoada com o Nobel da Literatura.

Em 2014, fora já nomeada pela Universidade Federal dos Urais para o prémio Nobel.

Da autora foi publicado este ano em Portugal o livro "O fim do Homem Soviético".

Tem, com o seu trabalho, dado um grande contributo para a compreensão da história da Rússia e estados vizinhos. Os seus texto são sempre meio caminho entre a literatura e o jornalismo.

"Usa a técnica de colagem justapondo testemunhos individuais, com o que consegue aproximar-se mais à substância humana dos acontecimentos", dizem os conhecedores da sua obra.

Usou este estilo pela primeira vez no seu livro "A guerra não tem rosto feminino" (1983), em que a partir de uma série de entrevistas aborda o tema das mulheres russas que participaram na Segunda Guerra Mundial.

A sua postura crítica contra o governo de Alexander Lukashenko, presidente da Bielorrússia desde 1994, valeu-lhe uma série de perseguições que a levaram a abandonar o país em 2000. Apenas em 2011 decidiu regressar à sua terra natal.

A identidade russa

Ao longo de 35 anos, Svetlana Aleksievitch tem escrito sobre a identidade russa, sobre o seu passado e futuro, e o ponto final é dado em "O fim do Homem Soviétivo - Um tempo de desencanto", livro vencedor do Prémio Médicis Ensaio, indicado pela revista "Lire" como Livro do Ano 2013 em França. Este documento único, já publicado em dezenas de países e traduzido diretamente do russo, chegou a Portugal no dia 24 de abril com a chancela Porto Editora.

Svetlana Aleksievitch percorreu dezenas de regiões do território soviético, falou com pessoas "de planetas diferentes" - os que nasceram na URSS e os seus filhos - e apercebeu-se de que uma grande parte da nova geração de russos eleva as qualidades de Estaline, sonha com o ressurgimento do antigo império e revive os símbolos soviéticos num Estado que já não os procura promover.

Considerada uma das autoras mais prestigiadas a escrever sobre a URSS, os seus trabalhos têm recebido uma enorme aceitação por parte da crítica, tendo sido galardoados com importantes prémios internacionais, como o Erich Maria Remarque Peace Prize, em 2001, e o National Book Critics Circle Award, em 2006.

Vencedores sabem minutos antes do anúncio

Ao contrário da maioria dos prémios literários em todo o mundo, que avisam o premiado com alguma antecedência, a Academia Sueca só informa o distinguido alguns minutos antes do anúncio oficial (12 horas em Portugal continental). Por isso, não é de estranhar que a chamada telefónica nem sempre produza o natural efeito de surpresa e de contentamento. Até porque, já houve casos em que tudo não passou de uma lamentável brincadeira.

A desconfiança dos galardoados face à famosa chamada tornou-se já um clássico. "Houve uma tragédia na família", foi o que pensou Mário Vargas Llosa quando a mulher lhe passou o telefone e a chamada caiu mal alguém anunciava que era da Academia Sueca.

Estranho também foi o momento em que Patrick Mondiano soube ter sido galardoado. A notícia chegou-lhe quando caminhava por Saint-Germain. Em 1964, o seu compatriota Jean-Paul Sartre escrevera à Academia, em Estocolmo, a avisar que recusaria o prémio caso lho dessem. E deram. Na altura o escritor recusou recebe-lo mas, em 1975, escreveu de novo reclamando o montante do galardão que ascende a oito milhões de coroas suecas, cerca de 880 mil euros.

Este ano, a encarregada do anúncio, como sempre feito em várias línguas, foi Sara Danius, professora de literatura na universidade da capital sueca e uma especialista na obra de Marcel Proust, um dos autores que nunca chegou a ganhar o Prémio Nobel.