Livros

"Libertem os livros da sua prisão!"

"Libertem os livros da sua prisão!"

Contra a decisão "absurda" da proibição da venda de livros sob a forma presencial, a escritora e editora Maria do Rosário Pedreira afirmou ao JN que "é mais fácil ao poder ter uma população ignorante para a dominar mais facilmente".

É cada vez mais audível o coro de vozes que contestam a decisão governamental de proibir a venda de livros, tanto nas livrarias como em espaços que habitualmente os comercializam, como é o caso dos supermercados ou das bombas de gasolina.

Editora da Leya, Maria do Rosário Pedreira denuncia uma medida "absurda" que assume contornos ainda mais graves por Portugal ser "um país com índices de leitura baixíssimos e com um problema gravíssimo em relação à dependência do digital por parte de crianças e jovens".

"O livro contribui certamente mais para a informação da população do que as revistas do coração, e estas podem ser vendidas em todo o lado! Se a ideia é evitar aglomerações, há muito mais aglomerações diante de quiosques de jornais e revistas do que sempre houve diante de livrarias. E, nos hipermercados, as pessoas que leem as revistas de fio a pavio (quiçá lambendo o dedinho para passarem as páginas, como já vi) são mais do que as que tiram um livro do expositor e o levam à caixa", afirma a escritora.

Maria do Rosário Pedreira aponta ainda as fragilidades e contradições da medida, dando como exemplo espaços como a Fnac, nos quais não é possível comprar livros (cobertos em plásticos e com acesso vedado), mas é permitido encomendá-lo ao mesmo empregado que não autorizou a compra".

A responsável editorial questiona-se ainda por que razão não foi dada às livrarias a mesma possibilidade conferida a estabelecimentos como as frutarias ou talhos, que podem abrir desde que cumpram as regras de segurança. "Sei que é mais fácil ao poder ter uma população ignorante para a poder dominar mais facilmente, mas já passaram muitos anos sobre o tempo da outra senhora. Mesmo assim, como querem que as pessoas percebam o que quer dizer 'etiqueta respiratória' se não introduzem a leitura desde a infância como uma prática comum? Os que compram livros são seguramente os mais bem preparados para evitar o contágio", defende, frisando que "a população ignorante está a pôr em risco a democracia".

Apesar de não discordar da proteção aos pequenos livreiros - o Governo argumentou a "concorrência desleal" para alargar a proibição da venda de livros aos restantes espaços de comercialização -, a autora afirma não fazer sentido que "para proteger meia dúzia, põem à míngua todo o setor: editores, gráficas, tradutores, revisores, designer e ainda os autores! Alguém vai dar uma esmolinha aos autores pelos livros que não vendem?"

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