Banda desenhada

Luís Louro: "A pandemia diz respeito a todos e há situações que devem e têm de ser criticadas"

Luís Louro: "A pandemia diz respeito a todos e há situações que devem e têm de ser criticadas"

Álbum com cartoons sobre a covid-19 chega hoje a bancas e livrarias.

No meio da banda desenhada nacional, Luís Louro é conhecido como autor de séries como "Jim del Monaco" ou "O corvo", bem como de "Alice", um álbum que marcou a maioridade da BD portuguesa. A partir de hoje tem à venda mais um livro, "Os Covidiotas", editado pela Ala dos Livros, uma coletânea de cartoons parcialmente publicados no Facebook, com um olhar bem-humorado e mordaz sobre a pandemia da covid-19 que ainda estamos a viver.

Ao "Jornal de Notícias", Louro revelou que este livro surgiu da vontade de "experimentar fazer umas tiras, sobretudo para encontrar um estilo de desenho dentro do meu registo habitual, mas mais simplificado. Tinha acabado o álbum "O corvo - Inconsciência tranquila", estava de quarentena e com a questão da pandemia comecei a aperceber-me de certas atitudes e comportamentos dignos de registo e resolvi fazer duas ou três tiras... A coisa correu bem e quando dei por mim já tinha passado das 100".

Louro admite que a "experiência foi muito interessante e divertida, o que é essencial". Depois de "encontrar o registo gráfico que procurava, tudo se tornou mais fácil; as ideias iam surgindo em catadupa".

Se no momento em que começa a desenhar um álbum de BD "já tenho um argumento pronto, neste caso tive de acompanhar os acontecimentos dia a dia. Adormecia a pensar nos covidiotas'e acordava a pensar nos covidiotas".

As circunstãncias retratadas são facilmente identificáveis, pois "uma grande percentagem destes cartoons corresponde a situações reais. Estive sempre atento às notícias, não só por cá, mas pelo mundo todo, sobretudo nos EUA e no Brasil, pois os seus líderes [Donald Trump e Jair Bolsonaro] não paravam de soltar pérolas". Além disso, "ia observando o que via da janela, os comportamentos de familiares, amigos, vizinhos... e sobretudos as opiniões nas redes sociais, que são uma eterna fonte de "sabedoria"".

Questionado, Luís Louro diz desconhecer porque existem tantos covidiotas, mas está grato pois "foram uma verdadeira fonte de inspiração; graças a eles criei algo que nunca me teria passado pela cabeça". Todavia, provoca: "Aqui entre nós, quem nunca cometeu uma covidiotice?"

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Luís Louro reconhece o lado trágico e dramático da pandemia, mas entende que mesmo assim pode ser retratada com humor, desde que seja "usada criatividade e evitado o mau gosto". E explica: "É algo que diz respeito a todos nós e não apenas a alguns. Tentei sempre levar as coisas de um modo ligeiro e brejeiro, mas há situações que devem e têm de ser criticadas. Este álbum serve para aliviar o stress, para alertar mas, sobretudo, tem uma forte componente de crítica social". Inevitavelmente, "não podemos agradar a gregos e troianos, por isso houve gente a não concordar, a não perceber ou a ficar ofendida com algumas das tiras". E conclui: "Se assim não fosse, ficaria desiludido, pois não estaria a cumprir o meu papel de cartoonista".

Com 160 tiras incluídas neste livro e mais de meia centena da "Segunda vaga" já exibidas nas redes sociais, o autor português manifesta a preferência por uma das personagens recorrentes da série, o terrorista Ahmed, justificando com uma gargalhada: "O humor dele é explosivo".

Numa clara alusão a uma das primeiras covidiotices registada a nível mundial devido à pandemia, a editora preparou uma pequena surpresa para a primeira centena de encomendas diretas: "Uma folha de papel higiénico personalizada", já que "um rolo completo seria impraticável para enviar".

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