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Macau, capital asiática do entretenimento

Macau, capital asiática do entretenimento

Dos infindáveis casinos e hotéis às salas de espetáculo, Macau assume-se cada vez mais como um destino a ter em conta. A aposta passa também pela sétima arte, como se comprova pela criação de um festival que apresenta um orçamento gigantesco.

Muito rapidamente, a uma velocidade impressionante, os responsáveis políticos e económicos de Macau têm transformado o território no que é, nas suas próprias palavras, a "capital asiática do entretenimento".

Casinos desde há muito que são uma realidade. Não há nenhum dos grandes hotéis da nova Macau, onde aliás não há pequenos hotéis, que não tenha o seu casino. Mais recentemente, na zona de Cotai, foi construída uma avenida à imagem da famosa "strip" de Las Vegas.

Assim, além de outras infraestruturas hoteleiras, de jogo e de entretenimento, como Macau Broadway, Macau Babylon ou as ruínas do Coliseu de Roma, Macau tem agora o seu Parisian, com uma Torre Eiffel à porta e à escala, não faltando um arco do triunfo ou o Moulin Rouge, e um Venetian, com Ponte Rialto, canais e gôndolas.

Última "atração", aberta há pouco mais de um ano a um custo de dois mil milhões de dólares, o Studio City tem como principais atrações uma Experiência Batman 4D e uma Golden Reel, uma roda gigante de onde se pode ver todo o território, a uma altitude máxima de 130 metros.

De tal forma estes espaços de luxo verdadeiramente asiático são importantes para a economia local, que uma boa parte dos veículos que circulam pelas ruas da cidade são autocarros dos hotéis, que circulam entre si e partem quer do porto dos ferries que ligam o território a Hong Kong quer da fronteira terrestre com a China.

Aliás, nem sequer é preciso ser cliente de nenhum dos hotéis para entrar num desses autocarros, ninguém nos pergunta para onde vamos. É também por isso que a fronteira que liga a Porta do Cerco à cidade chinesa de Zhuhai é atualmente a que mais pessoas atravessam por dia no mundo, para um lado e para o outro. Uma experiência única aliás, possível de fazer para qualquer estrangeiro, bastando adquirir um visto temporário de 72 horas, responder a algumas perguntas de ocasião e passar a pé, seguindo a multidão.

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Argentina vence Grande Prémio do festival


Entretanto, havia um festival de cinema. Com um orçamento gigantesco e o suporte de todos os grandes hotéis e casinos do território, a experiência da primeira edição tornou-se capital para se limarem imensos erros de organização.

Uma programação melhor e mais variada, muito mais público nas salas, maiores facilidades de trabalho para a imprensa e melhor mobilidade entre os diversos locais onde o festival se desenrolava e um enorme acolhimento por parte de produtores de todo o continente asiático dos doze projetos apresentados em busca de financiamento, entre os quais os de Ivo M. Ferreira e Jerónimo Rocha, fizeram da segunda edição do Festival Internacional de Cinema de Macau um sucesso, garantindo a sua continuidade e a sua efetiva presença como um dos eventos cinematográficos mais importantes do continente asiático.

Para a história fica ainda o palmarés, com o Grande Prémio a ser conquistado por "Temporada de patos", da argentina Natalia Garagiola, sobre um guia da Patagónia que recebe o seu filho biológico quando este é expulso da escola. O thriller chinês "Wrath of silence", o drama fantástico britânico "Beast" e o controverso "Foxtrot", o filme israelita que passou à lista de nove potenciais candidatos ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, foram outros dos títulos premiados.

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