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Mais de 300 pessoas ouviram Ricardo Araújo Pereira e Luís Fernando Veríssimo em Óbidos

Mais de 300 pessoas ouviram Ricardo Araújo Pereira e Luís Fernando Veríssimo em Óbidos

Mais de 300 pessoas ouviram, este sábado, em Óbidos, Ricardo Araújo Pereira e Luis Fernando Veríssimo numa conversa sobre as diferenças do humor em português do Brasil ou de Portugal e os limites à arte de fazer rir.

O mote da organização do Folio -- Festival Literário Internacional de Óbidos era para uma conversa que podia seguir qualquer rumo e os dois humoristas, moderados por Nuno Artur Silva, não se fizeram rogados a falar sobre tudo um pouco, perante uma plateia de três centenas de pessoas.

A conversa, que começou pela comida, rapidamente passou para o gosto de ambos os autores em "fazer rir" e a ideia quase consensual de que se trata de um dom. Mas, dizem os dois humoristas, é mais a "persistência e técnica" que esteve na base da carreira de ambos.

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Certo é que, cá como no Brasil, fazer humor passa por vezes por "uma forma de resistência", como acontece, por exemplo, com a última crónica de Ricardo Araújo Pereira, intitulada "Felizmente há Luaty", numa alusão ao rapper há 34 dias em greve de fome, depois de com outras 14 pessoas ter sido preso sob a acusação de tentativa de golpe de estado.

"O que tento fazer é escarnecer dos verdugos do Luaty", afirmou o humorista para quem "as pessoas que o prenderam são dignas de escárnio".

Neste caso uma crítica percetível para portugueses, africanos e brasileiros que enchiam a tenda dos autores, o que nem sempre acontece, dependendo do facto de as piadas serem feitas em português do Brasil ou de Portugal.

"Acho curioso que a gente consiga captar tudo no humor inglês" mas tenha dificuldades em entender humoristas brasileiros ou fazer-se entender "pelo público brasileiro", disse Ricardo Araújo Pereira, sustentando que tal se deve à influência das séries televisivas que ajudam a compreender a cultura anglo-saxónica e americana.

Já Luis Fernando Veríssimo defende que tem a ver com "o tamanho do país" que faz com que o português seja "mais espremido" em Portugal e no Brasil se possa "espraiar pelo país todo".

Num ou noutro português, poucos são os limites que os dois autores admitem ao humor, defendendo que, da religião à política ou ao futebol, todos os temas são passíveis de dar origem a piadas.

A exceção, para Luis Fernando Veríssimo, é "a dor das pessoas" e para Ricardo Araújo Pereira "a morte de um filho".

Tudo o mais é matéria-prima para fazer rir, como provaram os dois humoristas em duas horas que contaram histórias e mediram nas gargalhadas da assistência a "eficácia" da mestria de cada um em "provocar convulsões" ao público, sem lhe tocar.

A conversa decorreu no âmbito do Folio - Festival Literário Internacional que decorre em Óbidos até domingo.

Organizado em cinco capítulos (Folia, Folio Autores, Folio Educa, Folio Ilustra e Folio Paralelo), o festival é palco, de lançamentos de livros, debates, mesas redondas, entrevistas, sessões de autógrafos e conversas (improváveis, segundo a organização), entre mais de uma centena de escritores e os leitores.

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