Arte do Dia

Manifesto contra as escolas de ecrãs

Manifesto contra as escolas de ecrãs

Hoje só dá América. No funk e na pop, nas livrarias e nas escolas virtuais. Sem esquecer o sofá.

A cantora, produtora e multi-instrumentista californiana Georgia Anne Muldrow faz muita e diversa música. A sua discografia nos últimos 15 anos, sob vários heterónimos e com múltiplas companhias, é abundante. "VWETO III" é um lançamento de 2021 em que se inclina sobretudo para peças instrumentais, o funk negro como o espaço e a cor da pele, a riqueza de pormenores futurista e com os olhos no fio do horizonte.

A rede pública americana de rádio NPR bateu às portas de livrarias de proprietários negros para verificar se, um ano após o homicídio de George Floyd, o interesse do grande público por literatura antirracista se mantém em alta. As conclusões são encorajadoras.

Como relatar histórias importantes trocando as colunas de texto por banda desenhada: no site da revista literária "The Believer", também americana, o ilustrador e educador Steve Teare serve-se da sua experiência de anos com o ensino virtual para concluir que o isolamento social é uma doença que não deve ser transmitida aos estudantes sob qualquer pretexto, muito menos o da eficiência, da poupança, do lucro.

Uma outra revista literária não menos americana, "The Paris Review", é cliente habitual da Arte do Dia, em boa parte devido à criatividade de muitas das suas rubricas, que iluminam recantos menos explorados do universo das palavras. Uma das iniciativas em curso chama-se "Poets on couches" e faz, em vídeo e por escrito, o que fica entendido no título: autores reclinam-se no sofá caseiro e são filmados a ler poesia alheia próxima do coração. Na edição mais recente, a americana Rita Dove lê a austríaca Ingeborg Bachmann.

Parta-se para o resto do dia de novo com música da Califórnia, agora pela mão de Olivia Rodrigo. Uma artista pop que não leva desaforo para casa. A estreia em álbum, "Sour", impõe respeito.

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