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1937-2021

Marcelo sobre Cutileiro: "Nunca foi indiferente nem nunca nos deixou indiferente"

Marcelo sobre Cutileiro: "Nunca foi indiferente nem nunca nos deixou indiferente"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou esta terça-feira a morte do escultor João Cutileiro, considerando que "nunca foi indiferente", com um trabalho "marcado pelas revisitações do imaginário nacional e por um franco erotismo".

"João Cutileiro nunca foi indiferente, nem nunca nos deixou indiferente", escreve Marcelo Rebelo de Sousa, numa nota publicada no portal da Presidência da República na Internet, em que lamenta a sua morte e envia "sentidas condolências" à família do escultor.

Na nota divulgada pelo Presidente da República, refere-se que João Cutileiro nasceu "numa família culta, com forte ligação ao Alentejo, irmão do futuro diplomata e escritor José Cutileiro", e que "viveu em Lisboa, onde conheceu bem o meio literário e artístico".

"O surrealismo interessou-o, a política tentou-o, as viagens ao estrangeiro abriram-lhe horizontes. Descoberta a vocação artística, estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e de seguida, escapando ao academismo, em Londres, na Slade School of Arts. Começou a expor na década de 1960", acrescenta-se.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "o seu trabalho como escultor, mas também como fotógrafo, é marcado pelas revisitações do imaginário nacional e por um franco erotismo".

O chefe de Estado destaca "as figuras históricas destinadas ao espaço público, nomeadamente o 'Dom Sebastião de Lagos' (1973), mas também o monumento ao 25 de Abril, no alto do parque Eduardo VII, em Lisboa", obras que no seu entender "assumiram uma vontade de revisitação terra-a-terra, mordaz, da História e das mitologias nacionais".

"Tive o privilégio de com ele privar em certa época, num ambiente de amizade. Nas últimas décadas viveu em Évora, onde apadrinhou muitos artistas mais jovens e expôs a sua vasta obra, tendo doado o seu espólio à Direção Regional de Cultura do Alentejo, à Universidade de Évora e à Câmara Municipal", assinala ainda o Presidente da República.

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Ferro considera que Portugal perdeu uma das suas grandes referências artísticas

"Portugal perdeu hoje uma das suas grandes referências artísticas", afirmou o presidente da Assembleia da República, numa mensagem enviada à agência Lusa. Para Ferro Rodrigues, João Cutileiro "foi um dos nomes maiores da escultura portuguesa, sucedendo, na dimensão da sua obra, ao mestre Leopoldo de Almeida - de quem foi aluno, nos anos 50 do século passado, depois de ter colaborado com Jorge Barradas e António Duarte".

Ferro Rodrigues destaca depois uma geração de artistas que, com João Cutileiro e através da escultura, "ajudou a revisitar a identidade portuguesa".

"Afirmava que o desenho era a origem de tudo, e depois de deixar a sua marca na paisagem portuguesa - merecendo destaque, pela rutura que constituíram, as obras instaladas no centro de Lagos, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, mas, igualmente, no Palácio de Mateus, em Vila Real, ou na Assembleia da República, onde se encontra o busto de Natália Correia, de 1999 -, era pelo desenho que se vinha expressando nos últimos anos, na mesma linha figurativa que o caracterizava", acrescenta o presidente da Assembleia da República.

Galeria Monumental lamenta "perda para Portugal"

A direção da Galeria Monumental lamentou a morte do escultor João Cutileiro, aos 83 anos, considerando-a "uma perda para todos, para Portugal", e "uma mágoa particular" para a galeria.

"É uma perda para todos nós, para Portugal, e uma mágoa particular para a Galeria Monumental, que sempre o contou entre os seus amigos mais dedicados. Ainda em dezembro de 2019, já muito debilitado, fez questão de nos enviar desenhos, feitos propositadamente, para a exposição de ´Pequenos Formatos´, em que sempre participou", sublinha, em comunicado.

Na mensagem, a Galeria Monumental saúda ainda a pintora Margarida Lagarto, uma artista que também tem estado presente naquele espaço, e "companheira inquebrantável de todas as horas" de João Cutileiro.

"Vamos sentir muito a sua falta", finalizam.

Ministra lamenta perda de "referência maior da cultura"

João Cutileiro (1937-2021) "soube romper com a tradição, abrir novos caminhos e reinventar Portugal e a sua história, criando uma mitologia que é ao mesmo tempo própria, mas também coletiva, pela forma como, a partir dele, vemos em espelho aquilo que somos, com humor e com assombro", sublinha a ministra da Cultura em mensagens deixadas na rede social Twitter.

Em 2018, o ministério recorda que, pelo "inestimável trabalho de uma vida dedicada à arte, à criação artística e à divulgação e fomento da escultura, o Governo português concedeu a João Cutileiro a Medalha de Mérito Cultural".

"Na arte, como na vida pública, João Cutileiro foi um criador corajoso, mas também um homem generoso, um mestre e educador para muitos, e um exemplo que teremos sempre presente. A sua obra, parte fundamental do património artístico português contemporâneo, é um legado que, permanentemente, nos continuará a desafiar, a questionar e a motivar", pode ler-se numa nota de pesar do ministério.

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