Teatro

Maria Rueff volta ao palco pela filha

Maria Rueff volta ao palco pela filha

Atriz leva "Zé Manel Taxista" este sábado e domingo ao Coliseu do Porto. Personagem foi criada há 20 anos e é um êxito.

Na estrada para celebrar duas décadas da sua personagem mais emblemática, "Zé Manel Taxista", Maria Rueff, de 46 anos, quer agradecer o carinho do público que permitiu a longevidade do taxista que, hoje e amanhã, dominará a cena no Coliseu Porto. "Quando criamos coisas, nunca sabemos se será êxito ou fracasso. Esta foi a criação que eu pensava que menos durasse. É uma personagem masculina e, para uma atriz, esteticamente, é sempre mais complicado criar um travesti credível. Depois há a figura em si: malandra, marialva, um ferrenho do Benfica", diz Maria, assumindo que este é o seu "cartão de visita".

"Zé Manel Taxista: uma comédia com brilhantina" é mais do que um musical com humor e tem uma quota de responsabilidade da filha Laura, de 14 anos, fruto da relação com José Pedro Vasconcelos.

"Foi a Laura que teve a ideia do espetáculo, ouvindo no carro, com os amigos, o disco. Assim foi. Aliás, ela esteve em gestação dentro do blusão do Zé Manel (na altura, chamava-lhe barriga de cerveja), pois fiz a personagem grávida", refere. A forma como fala da filha deixa perceber que vive para a filha: "Somos muito cúmplices. A Laura trouxe-me uma alegria e uma leveza à vida muito grandes".

África sempre

Nascida na Beira, em Moçambique, Maria voltou já várias vezes à terra natal, de onde saiu com dois anos. Uma em 1998 e em trabalho; outra com a filha "numa viagem de família, para ela ver onde a mãe nasceu". "Sempre que posso, volto a África. Tenho qualquer coisa que me puxa", conta. E não é por acaso que, no atual espetáculo, "Zé Manel" tem um filho mulato, "um bocadinho para retratar os portugueses que se casaram em África".

Em 2014, Maria interpretou Margarida na novela da TVI "Mulheres", mostrando-se num registo dramático. "Eu sei ser comediante e tenho muito prazer nisso. Mas, como atriz, tinha lados enferrujados ou que nunca tinha trabalhado. No fundo, a tragédia e a comédia estão no extremo, mas tocam-se". Aberta "a qualquer coisa, desde que apaixone", não fecha a porta a convites. O ano passado, no Teatro S. João, no Porto, Rueff pisou o palco em "Nathan, o sábio", "também num registo sério. Foi aí que "baixou a vontade de voltar a fazer comédia".

Maria Rueff, que queria seguir Direito, foi para o Conservatório e, apoiada pela mãe, Maria Julieta, agarrou a representação. "Nunca mais o teatro me largou. Logo no segundo ano, comecei pela porta grande numa peça dirigida pelo Armando Cortez, onde conheci o João Baixo. Fizemos um "Café Teatro" que o Herman (José) foi ver e me escolheu até hoje".

Inseparável de Herman José, com quem faz o casal" Nelo e Idália", na RTP1, no programa "Cá por casa", sublinha que, "muitas vezes, é mais difícil encontrar um par artístico do que uma relação amorosa. Nós quase respiramos um pelo outro, antevemos os gestos e tenho muito orgulho na nossa parceria de quase 25 anos".

Guião à moda do Porto

Na Invicta, cidade que adora, até por ter raízes do Norte e porque a mãe "era uma portista ferrenha", Maria Rueff sente que "as pessoas percebem o boneco" e o fanatismo clubístico. No entanto, diz, os argumentistas criaram "uma parte do espetáculo toda dedicada ao Porto, porque é a nossa segunda cidade e é a minha cidade do coração".

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