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Fátima Campos Ferreira: "Dei o corpo às balas no 'Prós e contras', saio furada mas inteira"

Fátima Campos Ferreira: "Dei o corpo às balas no 'Prós e contras', saio furada mas inteira"

O programa "Prós e contras", que foi para o ar durante 18 anos consecutivos na estação pública de televisão, sempre conduzido pela carismática Fátima Campos Ferreira, acabou na segunda-feira. O JN acompanhou os bastidores da última emissão e recolheu a última frase da noite da jornalista: "Dei o corpo às balas, saio furada mas inteira".

Entre técnicos, câmaras, produtores e jornalistas, duas figuras destacavam-se no "plateau" do Teatro Armando Cortez, em Lisboa, uma hora antes do início do último "Prós e contras": Marina Cruz e Cristina Gomes. Depois de terem saído da RTP, em litígio com o canal, as duas mulheres, ambas referência no cabelo e na maquilhagem, voltaram, uma última vez, para tratar do visual de Fátima Campos Ferreira. Exigência da moderadora, que fez questão de se fotografar com as duas profissionais para a reportagem do JN.

Antes do início do debate mais antigo da televisão portuguesa, a jornalista trocou impressões com a sua "canalhada", como gosta de apelidar os colaboradores. A anfitriã certificou-se depois, com o produtor Gonçalo e o pesquisador Pina, se os lugares estavam todos marcados para receber personalidades como Manuela Eanes, Assunção Cristas, Carlos Moedas, Isabel ou João Soares. De seguida, virou-se para os jornalistas de serviço, Tiago Contreiras e Sérgio Vicente - em 2003, eram "miúdos"; hoje são seniores da Informação -, para afinar os pormenores daquela que seria a última emissão.

Ao longo de três horas, houve balanço do "Prós e contras", formato que debateu os temas fraturantes da sociedade, mas também se olhou para o futuro e para os milhões de euros que Portugal vai receber na sequência da pandemia.

Ao intervalo, apenas cinco minutos, Fátima Campos Ferreira queixou-se do som e do chão, onde já tropeçou algumas vezes sem nunca cair. Foi sempre assim, também, nos últimos 18 anos, emissões com passos seguros - e com a vigilância da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), visada durante a noite -, que fizeram com que os portugueses discutissem no dia seguinte o tema debatido na véspera.

Fátima Campos Ferreira vai continuar em antena, com o programa "Primeira pessoa", mas lançou um repto à RTP: "Façam um bom serviço público e televisão. Agora só há futebol e crimes".

Um pouco antes das duas horas da madrugada, a jornalista fechou o dia com o JN: "O espaço de pensamento é vital em horário nobre e isso não está a existir". A despedida foi emocionada, ramo de rosas na mão entregue por Gonçalo Reis, atual presidente da RTP.

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