Polémica

Jornalistas franceses convocados pelos serviços de informações

Jornalistas franceses convocados pelos serviços de informações

Vários órgãos de comunicação social de França denunciaram nos últimos dias que pelo menos oito jornalistas foram convocados pelos serviços de informações por artigos relacionados com a presidência de Emmanuel Macron.

Hoje, o presidente do conselho de administração do jornal Le Monde, Louis Dreyfus, anunciou que foi convocado pela Direção-Geral de Segurança Interna (DGSI) nos mesmos termos que a jornalista Ariane Chemin, grande repórter do diário.

O Le Monde tinha anunciado na quarta-feira que a jornalista foi convocada por artigos que publicou sobre Alexandre Benalla, ex-conselheiro de Macron, e sobre "o perfil de um oficial da Força Aérea, Chokri Wakrim, companheiro da ex-chefe da segurança de Matignon [residência oficial do primeiro-ministro], Marie-Élodie Poitout".

Dreyfus e Chemin foram convocados para 29 de maio, para uma audição nas instalações da DGSI, no âmbito de um inquérito por "revelação da identidade de um membro das forças especiais".

Uma jornalista do programa "Quotidien" da televisão TMC, Valentine Oberti, revelou na quarta-feira que foi convocada pela DGSI em fevereiro a propósito de uma investigação sobre a venda de armas francesas à Arábia Saudita, tal como o técnico de som e a operadora de câmara que trabalharam com ela.

Para Oberti, a medida é um ato "de intimidação" destinado a identificar as fontes.

Três jornalistas do novo 'site' de informação Disclose foram igualmente convocados por artigos relacionados com a venda de armas à Arábia Saudita, assim como um jornalista da Radio France.

Ambos os meios denunciaram uma "tentativa de intimidação".

Estas convocações suscitaram protestos de jornalistas e de políticos que denunciam um ataque à liberdade de imprensa e ao direito de informar.

A porta-voz do governo, Sibeth Ndiaye, justificou as convocações afirmando que "não se pode revelar a identidade de um agente que pertence às forças especiais".

A responsável defendeu a necessidade de o Estado proteger "um determinado número de dados que são necessários nomeadamente a atividades de defesa externa e atividades militares".