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JN entre 52 jornais centenários candidatos a Memória do Mundo da Unesco

JN entre 52 jornais centenários candidatos a Memória do Mundo da Unesco

Projeto avançará em 2020 e une títulos portugueses e brasileiros que são publicados há mais de 100 anos.

O Jornal de Notícias, que se publica diariamente a partir do Porto desde 1888, integra a lista de 34 jornais centenários portugueses e 18 brasileiros ainda em circulação que vão formar a candidatura ao programa Memória do Mundo da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. A novidade foi avançada no Recife, nordeste do Brasil, por João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa (API) que este fim de semana inaugurou a exposição "Jornais Centenários de Portugal e do Brasil - Um legado cultural". A mostra, patente na Galeria Baobá, no campus da Fundação Joaquim Nabuco, na capital do estado brasileiro de Pernambuco, até 17 de novembro, expõe primeiras páginas dos 52 títulos luso-brasileiros que continuam a chegar às bancas.

"Os jornais são a parte mais viva da língua, acompanham a humanidade desde que a prensa foi inventada [por Gutenberg, em 1450] e são efetivamente a memória do mundo. Pela importância histórica destes jornais, pretendemos candidatá-los a esse programa da Unesco para os documentos", disse João Palmeiro ao JN.

Candidatura pode ser conjunta

O responsável da API, organização que recebeu a Ordem de Mérito da Presidência da República em 2017, revela que está em estudo a possibilidade de uma candidatura conjunta Portugal-Brasil, contando para isso com o apoio da Associação da Imprensa de Pernambuco, que co-organiza a mostra dos jornais centenários na Fundação Nabuco.

"Agora é preciso pôr de acordo as comissões nacionais da Unesco de Portugal e do Brasil", disse João Palmeiro, manifestando a expectativa de poder vir a envolver no projeto a comissão nacional espanhola, agregando assim os títulos centenário do pais vizinho. É convicção de Palmeiro que "dentro de muito pouco tempo a Unesco reconheça este acervo tão valioso dos nossos jornais centenários".

Para esse esforço, o presidente da API pediu o apoio da Fundação Joaquim Nabuco, uma instituição pública de ensino e investigação ligada ao Ministério da Educação do Brasil, tendo recebido, de imediato, do presidente da Fundação, António Campos, a garantia de assessoria técnica na preparação da candidatura.

Múcio Aguiar, da Associação da Imprensa de Pernambuco, sublinhou por seu lado a importância do trabalho que as duas organizações que representam os proprietários de jornais vêm fazendo há três anos para aproximar a imprensa dos dois países "para que não tenhamos apenas uma língua comum mas uma imprensa em verdadeiro diálogo", disse o responsável brasileiro.

Acesso a novos fundos

O reconhecimento desses jornais como Memória do Mundo da Unesco abrirá caminho a importantes fundos de digitalização, indicou João Palmeiro. "O projeto assenta em três pilares: na confiança, que já estamos a desenvolver no novo programa Media Veritas, que pretende combater as "fake news"; na digitalização dos conteúdos, que funcionam tanto para a preservação como para disponibilização do acervo ao público; e, por último, assenta ainda numa nova linha de negócio que fará renascer no futuro arquivos que até agora estavam mortos".

O programa da Memória do Mundo da Unesco ainda não está aberto, mas a candidatura avançará assim que o programa estiver disponível, prevendo-se que deva acontecer no curso de 2020.

Uma mostra inédita

A exposição "Jornais Centenários do Brasil e Portugal - Um legado cultural" reúne 52 títulos com tiragens regulares há mais de 100 anos e que estão ainda em circulação no Brasil e em Portugal. "Fazer uma exposição com tamanha representatividade, com jornais vivos e impressos, é algo que nunca foi realizado em nenhum canto do mundo e isso enche-nos de orgulho", declarou Múcio Aguiar.

Em diálogo nas paredes da Galeria Baobá despontam as primeiras páginas das edições seculares e as suas novas caras, já em quadricromia ou cor total e com designs modernos. O "Diário de Pernambuco", o jornal mais antigo de língua portuguesa e cuja primeira edição, com quatro páginas, surgiu a 7 de novembro de 1825, é o destaque da exposição, que apresenta igualmente títulos como "O Figueirense", fundado em 1919 e que é o jornal centenário português mais recente, e o "Açoriano Oriental", o decano dos diários nacionais que é editado desde 1835 e integra a lista dos 10 jornais mais antigos de todo o mundo. O JN, com 131 anos de edições diárias, o DN, que se publica desde 1864 - os dois títulos fazem parte do portfólio da Global Media Group -, o "Maria da Fonte" (1886), da Póvoa de Lanhoso, e o "Jornal de Santo Tirso" (1882) estão também em destaque na mostra do Recife.

Esta exposição inédita dos 18 títulos brasileiros e 34 portugueses é realizada pelas Associação Portuguesa de Imprensa em parceria com a Associação da Imprensa de Pernambuco e a Fundação Joaquim Nabuco, contando com o apoio do Real Hospital Português e o Gabinete Português de Leitura.