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"Não foi apurada" prova de interferência política no "Sexta às 9"

"Não foi apurada" prova de interferência política no "Sexta às 9"

O Conselho de Redação da RTP-TV afirma que "não foi apurada nenhuma evidência" sobre interferência política no "Sexta às 9" durante a campanha eleitoral e considera "imperativo" que "alegações" sobre o tema "sejam comprovadas pelos seus autores".

Esta posição consta da deliberação do Conselho de Redação (CR) da televisão da RTP, datada de 29 de dezembro, a que a Lusa teve hoje acesso, na sequência do conflito que envolveu a Direção de Informação e o programa "Sexta às 9", coordenado pela jornalista Sandra Felgueiras, e na sequência do recente plenário de jornalistas.

Sobre as circunstâncias que conduziram à não emissão do "Sexta às 9" durante a última campanha eleitoral para as Legislativas, o CR entende que "não foi apurada nenhuma evidência sobre qualquer tipo de interferência política na decisão da Direção de Informação de não emissão do programa" durante aquele período, lê-se na deliberação.

"Perante as dúvidas levantadas por diversos setores, tendo em conta a importância decisiva do bom nome da redação, torna-se imperativo que quaisquer alegações sobre esta matéria sejam comprovadas pelos seus autores, de forma irrefutável", prossegue o órgão.

O CR da televisão da RTP sublinha ainda que "qualquer programa de jornalismo de investigação com a chancela da RTP - serviço público de televisão - não pode ficar dependente de constrangimentos de recursos humanos provocados pela sazonalidade", pelo que se torna "fundamental que sejam encontradas as soluções necessárias que ponham termo definitivo a esta situação".

O Conselho de Redação considera "igualmente aconselhável uma clarificação da linha hierárquica dos programas de jornalismo de investigação da RTP, por forma a preservar a autonomia jornalística das equipas de repórteres, bem como a legítima definição de linhas orientadoras por parte da Direção de Informação".

O "Sexta às 9" tem estado na ordem do dia devido à sua não transmissão durante a campanha legislativa, nomeadamente pelo adiamento do programa sobre o lítio. Tal levou a que o grupo parlamentar do PSD tivesse requerido a audição da diretora de informação, Maria Flor Pedroso, da jornalista da RTP Sandra Felgueiras e do presidente do Conselho de Administração da RTP, Gonçalo Reis, que foram ouvidos no início de dezembro na comissão parlamentar de Cultura e Comunicação.

Entretanto, a 16 de dezembro, Maria Flor Pedroso colocou "o seu lugar à disposição" por considerar não ter "condições para a prossecução de um trabalho sério". À decisão da diretora, ajudou uma polémica sobre outra investigação do "Sexta às 9" ao Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM), em que estavam em causa suspeitas de corrupção, que passava pelo alegado recebimento indevido de "dinheiro vivo".

Nesse âmbito, a coordenadora acusou Maria Flor Pedroso de ter transmitido informação privilegiada à visada na reportagem [diretora do ISCEM, Regina Moreira], o que a diretora de informação da RTP "rejeitou liminarmente".

Na sequência da demissão, a RTP indigitou José Fragoso, atual diretor de programas, para o cargo de diretor de informação de televisão, tendo obtido aprovação do CR da RTP-TV. Entretanto, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) deu "parecer negativo à proposta de acumulação de cargos de José Fragoso, pelo que a substituição de Maria Flor Pedroso no cargo está num impasse.