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Sandra Felgueiras deixa RTP, equipa indignada com suspensão do "Sexta às 9"

Sandra Felgueiras deixa RTP, equipa indignada com suspensão do "Sexta às 9"

A equipa do programa "Sexta às 9" questiona a Direção de Informação da RTP sobre a suspensão do programa de investigação, cuja atual temporada deveria terminar em dezembro mas tem o último episódio nesta sexta-feira, na sequência da saída da jornalista Sandra Felgueiras da televisão pública.

A Direção de Informação (DI) da RTP informou o Conselho de Redação, em reuniões na terça-feira e na quinta-feira, que Sandra Felgueiras entregou a carta de demissão a 16 de novembro e que apresentou essa decisão como "um facto consumado", quando questionada sobre "se havia espaço para negociação ou discussão" sobre a sua permanência na estação de televisão pública.

Segundo a ata da reunião, o diretor de Informação, António José Teixeira, indicou que "nunca recebeu qualquer pedido da equipa do Sexta às 9 para uma reunião". Acrescenta que numa reunião a 13 de outubro, "houve, pela primeira e única vez, uma sugestão da coordenadora para que os restantes elementos do programa participassem". Acrescenta que "foi entendimento da DI que essa reunião deveria ser apenas com a coordenadora e que uma conversa mais alargada poderia ser posterior".

A DI sublinha ainda, a propósito da falta de recursos, que o programa "nunca teve mais do que cinco jornalistas".

Na sequência da demissão de Sandra Felgueiras, a RTP decidiu suspender o programa de investigação que é emitido semanalmente à sexta-feira após o Telejornal. A temporada em curso estava previsto decorrer até 17 de dezembro. O último programa será emitido nesta sexta-feira, dia 26.

Uma decisão que a equipa do "Sexta às 9" critica, confessando sentir-se "humilhada" devido ao silêncio da DI com a falta de recursos do programa e os trabalhos de investigação já em curso com vista a emitir até ao fim da temporada.

"É com profunda indignação que fomos confrontados com a decisão de suspender o Sexta às 9 já a partir da próxima sexta-feira através de uma nota enviada pela Direção de Informação sem que esta nos tenha dirigido uma única palavra sobre este assunto; É com profunda humilhação que vemos tudo isto acontecer, depois de meses de silêncio em relação à falta de recursos do programa; e quando temos em curso várias investigações relevantes que são do conhecimento da Direção de Informação e que só têm enquadramento no âmbito de um programa de investigação", refere a equipa do "Sexta às 9" numa carta aberta à qual o DN teve acesso.

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"É absolutamente incompreensível que a Direção de Informação anuncie que está a trabalhar num 'renovado formato' do Sexta às 9 - sem nunca nos ter ouvido - e quando sabe que o programa é o único espaço de investigação, assim designado e com periodicidade semanal, da RTP", acrescenta a equipa.

"A falta de comunicação com a equipa do Sexta às 9, a somar ao anúncio público feito à nossa revelia, de que este seria o último programa com a Sandra Felgueiras, traduz-se numa humilhação pública para a equipa", considera o grupo de jornalistas, segundo citação do DN.

A equipa de jornalistas questiona ainda "como ficam as investigações em curso previstas para os programas até 17 de dezembro agora que o 'Sexta às 9' será suspenso a partir de 26 de novembro?". "O que prevê a Direção de Informação fazer às investigações, das quais já tem conhecimento, sobre matérias tão sensíveis como a atribuição de licenças para exploração mineira, fraudes no setor alimentar e na retirada de afegãos para Portugal, ou em casos de possível corrupção no setor energético?"

E as dúvidas e críticas vão ainda mais longe. "Se o novo formato vai ser um espaço de jornalismo de investigação, vai continuar a ter jornalistas em regime de 'falsos recibos verdes' que não têm nem telemóvel da empresa para fazer contactos tantas vezes delicados? Jornalistas que - apesar de vários pedidos e emails - são obrigados a estacionar fora do recinto da empresa? Como pode a Direção de Informação continuar a permitir que numa equipa onde se trabalha 12 a 16 horas por dia, não haja uma remuneração digna para o esforço constante e as inúmeras pressões a que está sujeita?"

"É por isso que além da indignação que sentimos, acompanha-nos uma profunda tristeza e mágoa ao assistirmos a este desfecho do programa, à forma como todo este processo tem sido conduzido e, em especial, à saída da jornalista Sandra Felgueiras da redação da RTP", escrevem os jornalistas do "Sexta às 9" na carta aberta dirigida à Direção de Informação da RTP.

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