Cultura

"Medo" de grandes arquitectos na origem de problemas urbanísticos

"Medo" de grandes arquitectos na origem de problemas urbanísticos

O "medo" que os grandes arquitectos inspiram aos clientes em Portugal é, para o Prémio Pritzker 2011, o português Eduardo Souto de Moura, uma das razões para os problemas urbanísticos em muitas grandes cidades do país.

"É possível ao cliente mandar mais, ter um arquitecto mais neutro, mais moldável. Só há pouco tempo apareceu a lei em que só os arquitectos podem fazer projectos", disse Souto de Moura, questionado pela Agência Lusa sobre a razão porque os arquitectos portugueses somam prémios, enquanto nas cidades se acumulam problemas urbanísticos.

"Se calhar os grandes arquitectos metem medo ao promotor normal. As pessoas dizem aquele deve ser muito complicado ou então dizem deve ser muito caro", adiantou.

O arquitecto portuense recebeu em Washington o mais alto galardão da arquitectura internacional, o prémio Pritzker, tornando-se o segundo português a ser distinguido, depois de Siza Vieira em 1992.

Na hora da "coroação", Souto de Moura lembrou Siza como referência incontornável da arquitectura portuguesa, e mesmo como quem "abriu as portas" do estrangeiro à escola portuguesa.

Considerou ainda que vários arquitectos da geração seguinte - "dos 40 anos" - têm condições de vir a receber igual distinção no futuro próximo, mas escusou-se a referir nomes "para não haver zangas".

A cerimónia contou com a presença do presidente norte-americano, Barack Obama, que enalteceu "as formas simples e linhas limpas" dos trabalhos de Souto de Moura e comparou o arquitecto português a Thomas Jefferson, ex-presidente dos Estados Unidos apaixonado pela arquitectura.

No discurso de aceitação, Souto de Moura lembrou a crise económica e social em Portugal, e apontou a emigração como solução "de ontem e de hoje" para a arquitectura portuguesa, e os países emergentes como oportunidade para os arquitectos.

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