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Miguel Gomes e Maureen Fazendeiro levam cinema português a Cannes

Miguel Gomes e Maureen Fazendeiro levam cinema português a Cannes

"Diários de Otsoga" é a única longa-metragem portuguesa na Croisette.

Impedido de continuar, para já, o projeto em que estava a trabalhar no Brasil, Miguel Gomes, acompanhado de Maureen Fazendeiro, aproveitou a "oportunidade" da pandemia para fazer novo filme, refugiando-se com a sua equipa e três atores numa quinta da região de Sintra, durante três semanas, entre agosto e setembro do ano passado.

O resultado chama-se "Diários de Otsoga", porque é assim que se escreve agosto ao contrário e o seu filme, balançando como quase sempre em Gomes entre a ficção e o documentário, regista uma pequena possibilidade de história entre essas três personagens, uma feminina e duas masculinas, mas contada a começar pelo último dia e terminando no primeiro, quando um responsável da Portugal Film Commission como que simbolicamente trancou toda a gente, depois de devidamente testada, nesse espaço fechado.

Se de Gomes retemos a estrutura e o modo milagroso como descobre novas formas de nos contar algo, de Fazendeiro, correalizadora estreante no formato longo, encontramos um lado mais ligado à natureza e à espiritualidade que também se deteta no filme. É um outro mês de agosto para Gomes, não tão "querido" como o do filme que fez há já alguns anos, antes de "Tabu" e da trilogia "As mil e uma noites", documentando um período complicado da existência de todos nós e, acima de tudo, celebrando a vida e o ato de filmar.

A obra de Gomes e Fazendeiro é a única longa-metragem portuguesa selecionada para Cannes 2021 e tem hoje estreia mundial na histórica secção paralela Quinzena dos Realizadores, onde Miguel Gomes é aliás presença habitual.

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