Música

Milhares juntam-se virtualmente em festival inédito

Milhares juntam-se virtualmente em festival inédito

O festival "Eu Fico Em Casa" arrancou esta terça-feira, levando música a milhares de portugueses que se encontram em isolamento social devido ao recente surto da COVID19. Ao longo de seis dias, desfilarão pela internet 78 artistas e mais de 40 horas de música. Cada concerto tem meia hora.

O festival virtual e inédito nasce num contexto em que teatros e salas de concerto estão fechados como medida preventiva face ao surto do novo coronavírus, combatendo assim a aparente paragem dos eventos culturais no país e tentando animar as pessoas que agora estão resguardadas nas suas casas.

O primeiro dia do festival inclui concertos de Barbara Tinoco, Elisa Rodrigues, João Pedro Pais, Boss AC, Diogo Piçarra, David Fonseca e Samuel Úria.

Bárbara Tinoco deu o tiro de partida

Bárbara Tinoco, uma das participantes do Festival da Canção 2020, deu início ao festival com o seu ar tímido e alegre, mantendo uma constante linha de contacto com a sua audiência virtual, que atingiu os 20 mil espectadores.

Passou-se pelos temas mais conhecidos da cantora, como "Sei lá", "Antes dela dizer que sim" e "Carta de guerra", tema em que aproveitou para fazer um apelo ao público. "Aos nossos avós foi-lhes pedido ir à guerra, a nós só nos estão a pedir para ficar em casa".

Houve ainda tempo para perguntas, trocas de elogios com o público que se ia fazendo sentir nos comentários e uma música ainda em construção, sem título, inspirada na atual situação que o país atravessa e que Bárbara Tinoco intitula temporariamente "Música do Corona".

Elisa Rodrigues canta Caetano Veloso

Mais um elemento do Festival da Canção 2020, Elisa Rodrigues deu o seu contributo ao festival a partir do seu quarto, na companhia de Feodor Bivol, guitarrista que "pediu emprestado" para a acompanhar neste curto concerto.

Ouvimos "Sonhos" de Caetano Veloso, a cappella, "In and around you", "Vai não vai" e "Just start a fire". A cantora confessou-se amadora no mundo dos vídeos em direto e dos streams, dizendo entre risos: "Que estranho, vocês estão no meu quarto!".

"De repente, não há concertos. Fica aquele vazio que não sabemos preencher", frisa Elisa, afirmando a seguir a importância e o valor deste festival para elevar a moral e o ânimo dos portugueses, tanto dos públicos como dos próprios artistas.

João Pedro Pais estreia-se nas redes sociais

Chegou a vez de João Pedro Pais, nome marcante da música portuguesa, que confessou também ser "a primeira vez que se filma para uma rede social". Define o seu concerto como "um monólogo musical", apesar de ter atingido uma audiência de 17 mil pessoas.

Durante meia hora puderam ouvir-se, em direto da sua sala de estar, alguns dos seus temas mais conhecidos, como "Mentira", "Havemos de lá chegar", "Ninguém é de ninguém" e "Paciência", uma canção que, segundo João Pedro Pais, "tem muito a ver com os nossos dias de hoje".

Boss AC prevê um final feliz

"Temos todos medo, mas tenho a certeza que se estivermos juntos, tudo vai ter um final feliz". Assim começa Boss AC a sua participação no Festival Eu Fico Em Casa. O cabo-verdiano, nome lendário do Hip Hop português do início do milénio, partilhou com mais de 20 mil pessoas um pouco da sua música a partir da intimidade da sua casa, acompanhado das suas filhas, mantendo durante todo o concerto um ambiente relaxado e de apoio a todos.

"Boa Vibe" e "Hip Hop (Sou Eu e És Tu)" foram alguns dos temas do alinhamento, para além de "Lena" e "Sexta-feira". Boss AC relembrou, no entanto, em referência à letra desta música, que "depois disto tudo, vamos mesmo precisar de emprego bom". Um exemplo da maneira como o artista ligou o seu trabalho com a atual problemática que assola o país, tal como fez com o tema "Tu és mais forte", em que trocou a linha "sai à rua e abraça alguém" por "fica em casa que eu fico também". Durante meia hora, Boss AC contagiou com a sua boa disposição e deixou uma mensagem de apoio a todos e de esperança.

Diogo Piçarra transforma quarto numa arena

Uns estonteantes 57 mil espectadores assistiram ao "live" de Diogo Piçarra, que foi o ponto alto deste primeiro dia do #EuFicoemCasa. O artista definiu o concerto como um momento para "dar um bocadinho de alegria em casa", e afirmou estar a "sentir esse amor de volta".

Seguiu-se uma série de temas icónicos do artista, desde "Tu e Eu" até "Trevo", passando por "História" e até um medley de canções dos Linkin Park. Por entre temas, Diogo Piçarra gritou "só vocês e eu, faz de conta que é o Altice Arena!", e depois de um momento de reflexão frisou: "Aliás, mais do que o Altice Arena!". Ouviu-se ainda "A dónde vas" e uma música nova, ainda em construção, intitulada temporariamente "Silêncio".

David Fonseca cria ambiente envolvente

A festa seguiu com David Fonseca e o seu humor, não estivesse o artista acompanhado de uma série de efeitos sonoros que permitiram criar um ambiente mais "envolvente", com palmas pré-gravadas e um fantástico sinal a dizer "Aplausos" que permitia ao público virtual saber exatamente quando deviam bater palmas.

Saltando da guitarra para o piano, David Fonseca cantou "Oh my heart", "Kiss me, oh kiss me" e "You know who I am", comentando o quão estranho é cantar sozinho, porque "uma pessoa sente-se observada, mas sem saber bem por quem". Seguiu-se assim "Borrow" e um tema conhecido pela interpretação de Al Green, "Let"s stay together", que entra no contexto atual perfeitamente, como afirma o artista: "É o que temos de fazer, pelo menos, ficar em casa juntos".

Samuel Úria canta Stevie Wonder

Samuel Úria iniciou o seu live a partir da sua sala, muito próximo do seu microfone para "não acordar os vizinhos idosos". "Eu estou em casa, como vocês devem, ou melhor, têm de estar", brincou o artista antes de começar o seu pequeno concerto.

"Mãos" e "Fica Aquém" soaram na sala de Samuel Úria, seguidas de uma versão em português do tema Lately, original de Stevie Wonder, e uma nova canção, tão nova que a banda que toca com o músico ainda não a ouviu, "O Muro". Por entre trocas de guitarra, Samuel Úria ia interagindo com o público e seguiu para "É Preciso Que Eu Diminua", uma canção dedicada a "um gigante que nos deixou recentemente", Xico da Ladra. Houve ainda tempo para "Barbarella e Barba Rola" e "Em Caso de Fogo", que serviu como pano de fundo "enquanto vocês migram para o Branko", brincou Samuel Úria no fim da sua participação.

O primeiro dia do festival "Eu Fico em Casa" acabou com um concerto apoteótico de Branko, prometendo trazer o que de melhor se faz na música portuguesa às casas dos portugueses, durante os próximos dias, através das redes sociais.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG