Cultura

Mónica e Cebola dão o nó

Mónica e Cebola dão o nó

O acontecimento terá lugar no n.º 50 da Turma da Mónica Jovem, à venda no Brasil em outubro e em Portugal no mês de abril: Mónica e Cebola vão casar-se. Mas apenas se conhece o convite.

A exploração de uma realidade paralela, uma viagem ao futuro ou a emulação de um casal de heróis de outra série poderão ser algumas das possibilidades exploradas pela nova história. E se esta união já esteve próxima várias vezes, nas adaptações de clássicos da literatura e do cinema protagonizados pela Turma da Mónica, desta vez, possivelmente, também não passará do convite.

Poderá ser apenas um truque de marketing com o propósito de elevar as vendas da revista mais procurada das edições Maurício de Sousa, que narra as aventuras das versões adolescentes de Mónica, Cebolinha, Cascão ou Magali. O mesmo já aconteceu na edição n.0º34, quando, perante o declínio das vendas, os dois começaram a namorar, tendo a tiragem global desse número ultrapassado o meio milhão de exemplares.

O mesmo objetivo - melhorar as vendas - esteve na base de decisões de sinal contrário tomadas recentemente pela Marvel e pela DC Comics. Esta última, na sequência do "reinício" da cronologia do seu universo, feito há cerca de um ano, para eliminar muitas das discrepâncias existentes e ajustá-lo à cronologia cinematográfica (pois os direitos para o cinema são, atualmente, a principal fonte de receitas das editoras de super-heróis), acaba de anunciar que o Super-Homem, que, após 15 anos, deixou de estar casado com Lois Lane, vai iniciar uma relação com a Mulher Maravilha (Wonder Woman).

Ao longo dos anos, os dois super-heróis - que, segundo muitos, pareciam destinados um ao outro - tiveram breves relações mais do que uma vez e, em realidades alternativas, chegaram mesmo a gerar filhos, mas os seus caminhos acabaram sempre por se separar.

Na Marvel, o primeiro grande abalo sentimental foi a separação de Peter Parker/Homem-Aranha e Mary Jane (ver texto acima). Agora, Pantera Negra e Tempestade, cujo casamento tinha sido celebrado há seis anos, também romperam, o que indicia um eventual regresso da super-heroína aos X-Men e um papel de maior preponderância em mais uma reformulação - Marvel Now! - anunciada para outubro.

Reflexos da sociedade

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Se é verdade que todas estas mudanças têm em primeiro lugar motivações financeiras, não deixam também de ser um reflexo das metamorfoses experimentadas pela sociedade atual, o que explica o primeiro casamento gay dos quadradinhos de super- -heróis, entre o X-Men Estrela Polar e Kyle, há poucos meses. Longe vai o tempo das relações estáveis e duradouras, como as de Príncipe Valente ou Thorgal, que casaram, constituíram família e - apesar de todas as aventuras, provações e peripécias - envelheceram ao lado das respetivas esposas.

Já muitos outros, como o Fantasma, Mandrake e Martin Mystère ou mesmo o Super-Homem e o Homem-Aranha, tiveram noivas (que pareciam eternas) ao longo de décadas, até à "febre casamenteira" que, qual epidemia, afetou os quadradinhos a partir da década de 1970, levando ao altar bom número de heróis de papel até aí solteirões.

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