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Moonspell: A intensidade do metal na solidão de um eremitério

Moonspell: A intensidade do metal na solidão de um eremitério

Numa época de isolamento, os Moonspell convidam a refletir sobre o que já faltava na comunicação, sugerem um período de pausa e meditação e incitam a um regresso mais esclarecido e atento aos problemas do planeta. "Hermitage", 13.º álbum de estúdio da banda de black metal, escalou de rompante o top nacional de vendas.

Marca também pontos nos tops de vários países europeus e encontra-se na tabela Emerging Artists da Billboard o disco que toma a reclusão radical como dínamo político e artístico. Fernando Ribeiro, o vocalista, explica ao "Jornal de Notícias" por que é que já vivemos num eremitério: "O excesso da conetividade nas nossas vidas gerou relações sem autenticidade, desaprendemos a comunicar e a sociedade pulverizou-se em milhões de púlpitos onde circulam notícias falsas e as opiniões veementes de todos aqueles que acham que o Mundo lhes deve alguma coisa". Mas as circunstâncias atuais permitem que se explore o lugar de isolamento de forma produtiva, diz Ribeiro, evocando o papel dos eremitérios em várias épocas e latitudes: "Não eram só lugares de ensimesmamento, garantiam também o espaço e o tempo para obter novas perspetivas sobre o Mundo, e muitos eremitas voltavam à comunidade com "notícias do outro lado" e uma mensagem de paz".

O cantor destaca em particular Manfred Gnädinger, eremita e escultor alemão que se alojou na pequena vila de Camelle, na Galiza, nos anos 1960. Gnädinger faleceu um mês após o desastre do navio petroleiro Prestige, em 2002, segundo a voz popular por causa do desgosto, e entrou para o imaginário da região como símbolo de tristeza pela catástrofe originada com o derramamento de crude. O líder dos Moonspell aponta-o como "farol da simplicidade" e exemplo de como um homem isolado conquistou toda uma comunidade.

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