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Morreu a última "Prima Ballerina Assoluta "

Morreu a última "Prima Ballerina Assoluta "

A bailarina cubana Alicia Alonso, figura emblemática da dança clássica mundial, morreu quinta-feira, aos 98 anos, no Centro de Pesquisa Médica Cirúrgica,em Havana. Depois da morte de Maya Plisetskaia, que faleceu em 2015, era a última "Prima Ballerina Assoluta" viva.

"Alicia Alonso deixou-nos e deixa um vazio enorme, mas também um legado intransponível. Ela colocou Cuba no altar do melhor da dança do mundo. Obrigado, Alicia, pelo seu trabalho imortal", escreveu no Twitter Miguel Díaz-Canel, Presidente cubano.

A mensagem do Presidente cubano junta-se esta sexta-feira, aos milhares de mensagens, nas redes sociais, de despedida à lenda cubana.

A história começou a construir-se quando tinha nove anos, e ingressou na turma do professor russo Nikolai Yavorski, em Havana. Lá, conheceu o que viria a ser o seu marido, o bailarino Fernando Alonso, com quem casou em Nova Iorque, em 1937, e teve a sua única filha Laura Alonso, também reconhecida bailarina e professora.

Alicia Alonso ingressou na Escola de Ballet Americano e, entre outros, teve quatro professores decisivos: Enrico Zanfretta, Alexandra Fedorova, Anatole Vilzak e Anthony Tudor. Mais tarde, ele aprenderia com Vera Volkova, em Londres e Olga Preobrazhenskaya, em Paris.

Com a companhia Ballet Theatre (mais tarde American Ballet Theatre), assumiu criações históricas: "Undertow", "Theme and Variations" ou "Fall River Legend". Mas, o papel que a viria a tornar uma lenda, aconteceu em novembro de 1943, quando aparece em palco como "Giselle". Essa noite foi um golpe de destino, o papel era de Alicia Markova que entretanto ficou doente, entrando Alicia Alonso como substituta.

Alicia Alonso teve também algumas participações em papéis na Broadway, nos musicais "Great Lady" (1938) e Stars In Your Eyes (1939).

Durante um regresso a Havana em 1948, como bailarina convidada, funda a sua própria companhia, o Alicia Alonso Ballet e é quando começa a coreografar. Quando os irmãos Castro chegaram ao poder, em Cuba, em janeiro de 1959, a companhia que Alonso criou em 1948, o Ballet Alicia Alonso - foi renomeada para Ballet Nacional de Cuba, e passou a ser uma instituição estatal. Alicia Alonso permaneceu ligado ao governo comunista até o fim de seus dias.

A partir de 1960, e enquanto as relações entre Cuba e os Estados Unidos permitiram, Alonso dividiu-se entre Nova Iorque e Havana. Depois de deixar o ABT, teve aparições como convidada nas instituições de maior prestígio: os Ballets Russes de Monte Carlo, a Ópera de Paris, a de Viena ou o Teatro alla Scala em Milão.

Alicia Alonso foi das primeiras convidadas durante a Guerra Fria a dançar no Teatro Kirov, (hoje, novamente, Mariinski) em São Petersburgo.

Saúde fragilizada

Foi operada três vezes aos olhos, os médicos avisaram-na de que deveria deixar a dança se quisesse manter a visão parcialmente. Ela recusou e tornou-se obstinada em perpetuar a sua linguagem técnica e estilizada, enquanto perdia gradualmente a visão.

Apesar de sua idade avançada, a bailarina continuava a dirigir o Ballet Nacional de Cuba, uma instituição que nos últimos anos estava debaixo de fortes críticas pela rigidez de suas produções, coreografias e figurinos e cenários considerados desatualizados. As difíceis condições de trabalho, os baixos salários e a pressão constante levaram um grande número de talentos deixassem a companhia.

Durante uma apresentação o ano passado, no Kennedy Center, em Nova Iorque, parte de uma digressão pelos Estados Unidos para celebrar o 70º aniversário do BNC, críticos disseram que a companhia estava oprimida pela veneração à figura de Alicia Alonso. A sucessão no cargo é um problema com que se deparam agora.

O Conservatório Internacional de Ballet e Dança Annarella Sanchez, sediado em Leiria, que representa a Escola Cubana de Ballet, em Portugal, fez hoje um minuto de silêncio pela morte de Alicia Alonso.

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