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Morreu François Cortegianni, senhor das mil histórias

Morreu François Cortegianni, senhor das mil histórias

Argumentista francês faleceu no dia em que completou 69 anos. Deixa uma obra que marca a história da BD.

Parece coisa de uma banda desenhada, falecer no dia do próprio aniversário, mas foi o que aconteceu ontem a François Cortegianni, nascido em 1953.

Autor de dezenas de argumentos para álbuns aos quadradinhos, o escritor francês nunca se lembrou de tal, mas foram muitas dezenas as histórias com que fez sonhar as gerações.

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Curiosamente, se depois de uma experiência passageira no desenho publicitário, a banda desenhada foi desde cedo a sua escolha, começou por praticá-la como desenhador. Dessa forma, entre 1974 e 1976, desenhou perto de um milhar de pranchas para os chamados "pequenos formatos", as revistas com 13 x 18 cm, semelhantes às portuguesas "Falcão" ou "Condor" que pululavam nos quiosques nas décadas de 1960 a 1980.

O passo seguinte foi uma passagem rápida pela "Spirou", antes de se estabelecer na "Pif Gadget", onde assinaria o seu primeiro sucesso: a retoma do cão Pif, primeiro como desenhador, depois como argumentista. Desta fase ou publicado em Portugal "Pif contraKrapulax", pela Distri. Ainda naquela revista, enquanto desenhava "Pastis", escrevia para outros ilustradores: François Dimberton, Giorgio Cavazzano, Louis Cance... Ao longo de uma década, entre diversas séries, criou o western "Smith et Wesson" e "L"école Abracadabra", esta para "Le Journal de Mickey", de que algumas páginas foram publicadas em português, enquanto assumia a redacção da revista alemã "Zack", em parceria com Cavazzano, com quem assinou "Peter Pencil".

Incapaz de limitar a sua verve criativa, espalhou colaborações de todos os géneros pela maioria das editoras francófonas e mesmo para lá das fronteiras do hexágono, com o humor e a aventura como lema. Isso não o impediu de embarcar na aventura da revista "Vécu", onde assinou ficções históricas como "De Silence et de Sang", com Marc Malés, ou "O Guerreiro do Arco-Íris", para o espanhol Victor de la Fuente, que teve edição nacional da Meribérica/Líber. O mesmo aconteceu com a retoma de "A Juventude de Blueberry", após a morte de Jean-Michel Charlier (1924-1989), primeiro desenhado por Colin Wilson, depois por Blanc-Dumont.

Para além das muitas criações originais, participou na nova vida de heróis clássicos como Alix, Bob et Bobette, Gil Jourdan, Lefranc, Sibylline e teve uma longa colaboração com a Disney italiana, com algumas das suas histórias publicadas em português.

Desde 2011 assinava no jornal "L"Humanité" uma tira diária com Pif e ainda este mês de Setembro a editora Mosquito vai lançar o seu último trabalho, "L"Ange Exterminateur", com desenho de Lele Vianello, um western assente numa história de vingança.

Grande conhecedor da banda desenhada europeia e da sua história, François Corteggiani ao longo das décadas afirmou-se como um dos mais prolíficos argumentistas europeus e como um dos últimos representantes deste género de autores multifacetados.

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