Cultura

Morte de Graça Moura recebida com tristeza e amargura

Morte de Graça Moura recebida com tristeza e amargura

Amigos e colegas de escrita lamentam a morte do escritor Vasco Graça Moura. "Uma grande perda, um grande homem e ficamos todos de luto", considerou a presidente do Instituto Camões.

"Foi com muita tristeza que soube da morte de Vasco Graça Moura, um grande amigo. Perdemos hoje um homem de excecional cultura que ficará na História das Letras Portuguesas", afirmouDurão Barroso, presidente da Comissão Europeia, numa mensagem enviada à agência Lusa.

"Queria ressaltar nesta ocasião o seu qualificado contributo para a construção europeia e o seu compromisso com uma visão de um papel forte de Portugal nesta nossa União Europeia. À sua família, as minhas mais sinceras condolências", acrescenta o chefe do executivo comunitário.

A presidente do Instituto Camões realçou a sua importância na cultura portuguesa, da edição de clássicos, à tradução de grandes poetas e à dimensão de escritor, poeta e romancista.

"Uma grande perda, um grande homem e ficamos todos de luto", disse à agência Lusa Ana Paula Laborinho, acrescentando que "era, de facto, uma figura fundamental da cultura portuguesa, mais recentemente à frente do Centro Cultural de Belém, também aí procurando imprimir essa orientação" no sentido da sua valorização.

Vasco Graça Moura "teve uma enorme importância em diversas dimensões e, em primeiro lugar, não posso esquecer o que fez à frente da Imprensa Nacional Casa da Moeda, editando muitos dos clássicos, criando e recriando uma tradição de conhecimento que estava perdida", referiu a presidente do Instituto Camões da Cooperação e da Língua.

Realçou também o papel de Vasco Graça Moura como tradutor, "porque só um grande poeta pode traduzir grandes poetas, e ele traduziu grandes clássicos, e a extraordinária qualidade dessas traduções só pôde existir porque ele também era um grande poeta".

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O presidente Associação Portuguesa de Escritores, José Manuel Mendes, reagiu "com amargura" à "morte de um amigo querido", que considera ser um escritor maior da língua portuguesa. "Não é o facto de ser esperado que torna o seu desaparecimento mais aceitável. A morte é sempre parte irredutível e que dói. Por isso, reajo com amargura", disse.

O poeta e coordenador do Plano Nacional de Leitura, Fernando Pinto do Amaral, destacou que Vasco Graça Moura era uma "figura absolutamente ímpar", com a capacidade de chegar a todas as pessoas, das mais cultas às mais simples.

"Era um grande escritor. Era um escritor em todos os sentidos das palavras: escrevia prosa, poesia, ensaios, escrevia muito bem. Era um homem cultíssimo, de uma cultura vastíssima como é raro encontrar", disse o também poeta.

"A sua escrita pode ser lida em muitos graus. Para quem tem referência culturais, essa escrita implica uma serie de referências mas, por outro lado, quem não tiver essas referências pode lê-la e, mesmo assim, é uma escrita fantástica", afirmou.

"Tinha uma enorme capacidade de chegar diretamente às pessoas sem, ao mesmo tempo, apagar a imensa cultura que tinha. Conseguia conciliar isso tudo", acrescentou o poeta.

A escritora e poetisa Maria Teresa Horta lamentou a morte do seu amigo, afirmando que "os poetas não deviam morrer".

"Portugal perde um grande poeta, um defensor da língua portuguesa. O Vasco foi dos grandes defensores da pureza da linguagem contra esta mudança que se pretende, este terrível atentado contra a língua portuguesa que é o acordo ortográfico", disse.

Sobre o seu percurso político, Maria Teresa Horta disse que sempre considerou "inexplicável que um homem como o Vasco fosse de direita". "Para mim era contranatura", acrescentou.

O histórico socialista Manuel Alegre classificou Vasco Graça Moura como "uma figura impar na vida cultural contemporânea" portuguesa e disse ser "muito triste" perder um poeta com a sua dimensão.

"Era uma grande figura da cultura portuguesa, grande poeta, excelente tradutor com magníficas traduções de Dante, Shakespeare e outros", disse Manuel Alegre.

Afirmando que era um "homem de grande abertura" nas questões culturais, "nada sectário e um bom camarada", Manuel Alegre disse ainda que Vasco Graça Moura tinha uma grande capacidade de trabalho e uma "extraordinária coragem".

"Resistiu à doença além de tudo aquilo que era previsível", sublinhou.

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