O Jogo ao Vivo

Streaming

Mundo admirável de Huxley chegou ao futuro na televisão

Mundo admirável de Huxley chegou ao futuro na televisão

Uma sociedade que não sente sofrimento nem dor, em que a discriminação e a violência foram abolidas, a doença e a ansiedade eliminadas, o sexo sem compromisso é obrigatório e em que uma droga calmante chamada soma é usada livremente por todos. Parece uma maravilha, uma utopia que tarda em ser realidade, mas só se olharmos de relance. Porque uma vida perfeita por defeito pode ser uma forma de aprisionamento social e político.

É esta a tese central de "Admirável mundo novo", clássico fundamental da literatura distópica e futurista, publicado em 1932 por Aldous Huxley, e que fornece os alicerces para uma nova série de televisão homónima, que está já disponível na HBO Portugal.

Há diferenças claras entre a Nova Londres do original e a adaptação, por muito relevante que permaneça a presciente narrativa de Huxley - um aviso contra a tentação totalitária numa sociedade confundida pela ilusão da produção, do privilégio e do prazer (e há cenas de orgias em abundância na versão televisiva).

A divisão da sociedade em castas, decidida por uma entidade que tudo gere, a educação pelo condicionamento e a felicidade obrigatória permanecem o cerne desta história, que, como qualquer boa história, precisa de uma areia que perturbe a engrenagem que se julgava perfeita.

Monogamia e disfunção

"Quando a encontramos, ela está já consciente do que está a sentir, mas não tem ninguém na sua vida para falar sobre isso, sobre se é normal expressar tristeza, depressão ou amor", sublinha ao JN Jessica Brown Findlay, atriz experiente em peças de época (foi Sybil Crawley, em "Downton Abbey", ou Charlotte Wells, em "Harlots"), ao descrever a sua personagem.

Lenina Crowne é uma disfunção. Gosta da monogamia (prática chocante, nesta sociedade), admite a possibilidade de amar alguém e está a convencer-se de que haverá mais na vida do que sexo e euforia por decreto. A jovem encontra o que precisa em John, um "Selvagem" que vive no outro lado do Mundo, num território onde um parque de diversões foi instalado para exibir os costumes antigos da Humanidade: o casamento, o romance ou a privacidade (que em Nova Londres não existe de todo). Alden Ehrenreich, que foi o mítico Han Solo em versão jovem (no "spin-off" de 2018 da saga "Star Wars"), diz ao JN que John é, antes de tudo, "um romântico", que coloca Nova Londres a ver-se de outra maneira.

PUB

"As pessoas são muito ingénuas e não se apercebem da forma como são controladas" por um sistema cujo único foco é não ser questionado, acrescenta o ator. É um sistema perverso. Porque há de alguém ser contra a tranquilidade de uma existência em que nem a morte é temida? É esse o medo de Ehrenreich, traçando um paralelo com o mundo real. "Para mim o fundamental é combater esta ideia de que uma vida boa é uma vida em que se evita sempre o desconforto".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG