Cultura

Museu alemão admite ter quadros roubados pelos nazis

Museu alemão admite ter quadros roubados pelos nazis

O museu de Arte da Renânia do Norte-Westefalia comunicou que não consegue determinar a origem de 33 obras e admite que podem tratar-se de quadros roubados pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial.

Marion Ackerman, diretora da coleção, referiu-se em concreto aos pedidos de restituição formulados pelos herdeiros do conhecido galerista Alfred Electhheim (1878-1938), que, segundo alguns historiadores, foi o primeiro judeu a ser expropriado pelos nazis após a subida de Hitler ao poder em 1933.

Até ao momento, não foi possível dar resposta aos pedidos da família do galerista que reclamam os quadros "Federpflanze", de Paul Klee, e uma natureza morta do cubista Juan Gris.

Por isso, Ackermann pediu ao Governo alemão para interceder junto da França, ao mais alto nível, com o objetivo de conseguir autorização para investigar o arquivo da Galeria Daniel-Henry Kahnweiler (atualmente Galeria Louise Leiris), de acesso interdito para que se possam "conseguir resultados" sobre a origem e percurso dos quadros.

Segundo a diretora do museu alemão, caso a investigação não consiga resultados, vão ter de ser os políticos a decidir pela possível devolução dos quadros à família do galerista, como ato de "pagamento moral".

Outra das "obras centrais" da coleção, o quadro "Die Nacht" ("A Noite", com a data de 1919), de Max Beckmann, pode constituir um caso de litígio, pois os herdeiros de Flechtheim apresentaram um pedido de investigação, que neste caso não constitui um requerimento formal de devolução, indicou o museu.

No caso de outros 11 quadros, sobre os quais foram pedidos estudos sobre a origem de propriedade, foi possível determinar que o proprietário legal era Flechtheim.

Os historiadores de arte da coleção alemã conseguiram desde 2009 esclarecer a proveniência de 146 obras de arte, cuja propriedade durante a ditadura nazi, entre 1933 e 1945, suscitava dúvidas.

Entre os 33 quadros cuja origem ainda está por apurar encontra-se uma obra de Picasso ("Nu Sentado"), um quadro de Beckmann ("Der eiserne Steg"), assim como telas de Hans Arp, Georges Braque e Henri Matisse, entre outros.

De acordo com Anette Kruszynski, responsável pelo projeto de investigação, existem "lacunas espetaculares" no que diz respeito à procedência dos quadros.

No caso de uma colagem de Kurt Schwitters não existem informações sobre o paradeiro da obra entre 1920 e 1952, assinalou a investigadora.

No ano em que Adolf Hitler subiu ao poder, 1933, Alex Vomel, membro do Partido Nacional Socialista e das tropas de assalto SA, assumiu a liderança da galeria Flechtheim, onde trabalhava para o famoso colecionador e galerista de origem judaica e considerado como um mecenas, na cidade de Dusseldorf.

Até hoje, os especialistas não conseguiram esclarecer se o caso da galeria de Dusseldorf se trata da primeira expropriação de bens pertencentes a judeus em favor de alemães de origem "ariana".

O galerista que abandonou a Alemanha em 1933 morreu em Londres em 1937.

As buscas que são empreendidas pelas galerias alemãs de arte roubada pelos nazis estão fundamentadas nos "princípios de Washington", de 1998, que têm como finalidade intensificar em museus e bibliotecas a busca de bens culturais retirados aos proprietários perseguidos e encontrar soluções justas e adequadas em relação aos pedidos de devolução.

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