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Neil Young vai perder 60% das receitas de streaming "em nome da verdade"

Neil Young vai perder 60% das receitas de streaming "em nome da verdade"

Músico canadiano disse que vai perder 60% das receitas de streaming com a saída do Spotify, mas considera que "vale a pena".

Em dois comunicados, Neil Young agradeceu às editoras Hipgnosis e Warner/Reprise pelo apoio e trabalho que levaram à remoção da sua música do Spotify.

As músicas do autor canadiano foram retiradas da plataforma de streaming depois de o artista ter protestado contra a reprodução de podcasts polémicos e acusado a companhia de desinformação sobre a covid-19.

Numa primeira publicação, Young explicou que, antes de falar com a editora, foi lembrado pelas suas "próprias forças legais" de que "não tinha controlo" do seu catálogo para fazer essa decisão por conta própria. "Anunciei que estava a sair [do Spotify] de qualquer forma, porque sabia que estava", escreveu. "Quero agradecer à minha grande e solidária editora discográfica por estar comigo na minha decisão."

O artista revelou ainda que vai perder 60% da receita de streaming por se retirar da plataforma. Embora tenha admitido que foi "uma grande perda" para a editora, agradeceu à Warner/Reprise por "reconhecer a ameaça [que] a desinformação da covid no Spotify representava para o Mundo". "Obrigado Warner Brothers por ficar comigo e levar o golpe - perdendo 60% da minha receita mundial de streaming em nome da verdade", continuou.

No segundo comunicado, Young estendeu os agradecimentos à Hipgnosis, com quem trabalha desde 2021, e à Universal, que edita cinco dos seus 41 álbuns de estúdio. "Estou muito feliz com o apoio deles", lê-se. "Quero agradecer pessoalmente à Merck [Mercuriadis, fundadora da Hipgnosis] e à Hipgnosis por estarem comigo. [Esta é] uma mudança cara, mas vale a pena pela nossa integridade e crenças".

Young agradeceu ainda à Universal pela "consciência" dos diretores executivos Michele Anthony e Bruce Resnikoff. "Aprecio a ajuda e apoio", concluiu.

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Recorde-se que, em 2021, o artista vendeu 50% dos direitos de publicação de todo o seu catálogo de músicas à Hipganosis, num acordo no valor de 150 milhões de dólares (cerca de 134 mil euros).

A escolha entre Neil Young e Joe Rogan

Neil Young anunciou as suas intenções de sair do Spotify no início da semana, acusando Joe Rogan,, que produz o podcast "The Joe Rogan experience" de espalhar "informações falsas sobre vacinas [contra a covid-19]". No texto, o artista de 76 anos pediu que todas as suas músicas fossem retiradas "hoje [terça-feira]". "Eles [Spotify] têm Rogan ou Young. Não os dois", acrescentou o artista.

Rogan assinou um contrato de 100 milhões de dólares (cerca de 88 milhões de euros) com o Spotify em 2021 e o seu podcast acumula milhões de reproduções. Porém, é acusado de ser um veículo que vende teorias da conspiração e desinformação, especialmente sobre a pandemia.

Ao conceder ao pedido de remoção das músicas de Young, o Spotify disse "lamentar a decisão", mas "espera recebê-lo de volta em breve".

Esta história pode, no entanto, ainda não ter acabado. Esta sexta-feira, o cantor inglês Lloyd Cole, que completa 61 anos na próxima segunda-feira, anunciou a intenção de fazer o mesmo que Young. "Dei instruções à minha equipa para fazer o que pudermos para remover a minha música do Spotify. Esperamos que queiram estar do lado certo neste momento", escreveu.

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