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Nem a chuva dos festivais de Coura quis faltar ao "Courage Club"

Nem a chuva dos festivais de Coura quis faltar ao "Courage Club"

Francisco Lemos, analista, e o médico João Silva, trabalham no Hospital de Beja e fizeram esta sexta-feira uma longa e custosa viagem desde aquela cidade alentejana até ao Minho para assistir ao novo festival daquela vila minhota, o "Courage Club".

Ao chegar esperava-os aquela chuva de Coura, que os seguidores do estival Vodafone Paredes de Coura, que já não se realiza há dois anos, tão bem conhecem (há sempre pelo menos um dia que pede galochas). Só que bem mais fria. Pouco faltava para as 20 horas e o novo festival de inverno começava a aquecer com sonoridades mais ou menos psicadélicas, a remeter para a liberdade solta dos anos 60. The Lemon Lovers, no palco da "Caixa da Música, mais melódicos, e Insafe Space Garden, mais caóticos e teatrais, no cenário do Quartel das Artes, foram os primeiros do alinhamento. E a fazer o aquecimento. "Estava cheio de sede de festivais e é bom estar no palco e fora do palco", comentou, após o concerto, Victor Butuc, baterista dos The Lemon Lovers e também membro da equipa de produção do festival. E o vocalista da banda, João Silva, acrescentou: "Temos tocado sempre praticamente em teatro e estávamos com saudades deste ambiente de club que é muito diferente, mas muito agradável. Foi super divertido".

Francisco e João, passeavam-se contentes pelas ruas ainda quietas da vila. "Já conhecíamos o ambiente aqui de Coura e achamos uma boa oportunidade para voltar aos festivais", comentou o jovem médico. E seu amigo analista, completou: "É sempre fixe ver Nuno Lopes em Paredes de Coura e também viemos um bocado por causa do Chico da Tina. Nunca o vimos ao vivo".

Chico da Tina é mesmo um dos nomes mais esperados no novo festival courense. Atuará este sábado às 0.30 horas no palco principal. O mesmo se aplica ao DJ Nuno Lopes, que apesar de só atuar amanhã no Quartel das Artes às 2 horas, já se passeia por Paredes de Coura, na companhia do seu amigo João Carvalho (da organização).

"Tinha de estar aqui. Venho cá, quer haja festival ou não. Vim cá os dois agostos [em que não houve festival de verão em 2020 e 2021]. Sou da família. Gosto muito destas pessoas, gosto muito deste local e desta organização", disse o ator, louvando o "Courage Club". "Acho que estavamos todos desejosos deste momento e é só pena que não tenha vindo mais cedo. É bom começar por algum lado e Coura estar a dar este passo de coragem de arriscar fazer um festival neste momento".

Riu de satisfação quando o JN lhe contou que Francisco e João vieram de Beja para o ver atuar mais uma vez em Coura. E comentou: "Tenho uma afinidade muito grande com o festival. Tocar aqui é sempre um dos pontos altos do meu ano e não quero nunca de deixar de vir. Sempre que puder ajudar para que este festival continue a existir e para que o público se mantenha fiel a esta terra, virei".

À porta da farmácia da vila, Maria do Carmo Cerqueira de 70 anos, apreciava o ainda pouco movimento. "Estou a ver o ambiente, mas ainda está fraquinho. Estou à espera de mais. Já tinha saudades de ver os festivaleiros, mas gosto mais [do festival] de dia. O verão é outra coisa", apreciou, contando que o evento estival é sempre oportunidade de negócio na farmácia. "Vendemos pastilhas para a garganta, porque eles apanham muito frio, comprimidos para a ressaca e outras coisinhas", contou.

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Pela vila deverão passar 800 pessoas, o número de bilhetes colocados à venda pela Ritmos e que, segundo João Carvalho, "esgotaram em cinco horas". "As pessoas tinham saudades dos concertos. Já se nota o entusiasmo. E estão a chegar aos poucos", afirmou, dizendo-se ele próprio "feliz e com um nervoso miudinho, como se fosse a primeira vez", que organiza um festival. E resumiu o momento: "Coura com coragem".

Entre hoje e amanhã, 23 bandas nacionais (os ingleses PVA são a única exceção) vão atuar nos três espaços cobertos situados no centro da vila. A Caixa da Música, o Quartel das Artes e o palco principal instalado numa tenda instalada no Largo Hintze Ribeiro.

Pedro Mafama foi o primeiro a estrear este último, cerca das 21 horas desta sexta-feira. Um pouco antes ao JN contou que a sua primeira visita a Paredes de Coura, valeu muito também pela viagem. "A vir para cá passei por muitos sítios que eu tenho como inspirações culturais muito fortes e estou ansioso por conhecer e sentir a energia das pessoas e desta vila", descreveu.

Para o "Courage Club" levou o seu trabalho "Por este rio abaixo" de 2021, que se ajusta àquele palco como uma luva. ""Por este rio abaixo", pode ser o rio Coura. Na verdade, o álbum tem imensas sonoridades aqui do Minho. Batidas inspiradas muito em coisas minhotas. Passa um pouco por todo o país, mas o Minho é quase um terço do álbum", mencionou.

Para Mafama, mesmo sem nunca ter antes colocado os pés na vila dos festivais, até a meteorologia já lhe é familiar. Notou: "Um festival sabe sempre melhor com o calor, mas pelo que já ouvi mesmo no verão, há sempre chuva em Coura".

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