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Nenhuma criança devia ter medo do céu

Nenhuma criança devia ter medo do céu

O passado e o presente juntam-se em "Sombras nos meus olhos", um filme sobre o valor da vida durante a guerra.

As crianças não deviam ter medo de olhar para o céu. Mas Henry (Bertram Bisgaard), uma das personagens centrais do filme "Sombras nos meus olhos", que chegou à Netflix a 9 de março, viu cair das nuvens a morte, a poucos meses do fim da II Guerra Mundial. Perdeu a voz e a capacidade de andar na rua livre, sem medo. (E na verdade nem precisávamos de recuar no tempo para imaginar a eternidade contida no segundo em que uma bomba é lançada sobre as nossas cabeças.)

Inspirada em factos reais, esta é a história da Operação Cartago, durante a qual uma escola católica dinamarquesa foi bombardeada, por engano, pela Força Aérea britânica, em março de 1945. Mais de 120 pessoas morreram, entre elas 86 crianças. Uma hora e 39 minutos que provam - ainda haverá dúvidas? - que nenhuma guerra é travada sem dolorosos danos colaterais.

O alvo dos pilotos britânicos era o quartel-general da Gestapo, em Copenhaga. No entanto, um dos aviões que sobrevoaram a capital dinamarquesa a baixa altitude despenhou-se, a poucos metros do edifício, gerando uma coluna de fumo que enganou os restantes elementos da Força Aérea. O edifício da Escola Joana d"Arc, onde as crianças ensaiavam, alegremente, uma peça de teatro, foi então bombardeado. Gritos. Morte. Desespero. Ainda que em contextos totalmente diferentes, não há como não deixar fugir o pensamento para o teatro atacado pelas forças de Moscovo na martirizada cidade ucraniana de Mariupol, junto ao qual estava escrita, no chão e em russo, a palavra "crianças". Será possível que, em 2022, ainda se despreze o valor da vida?

Realizado pelo dinamarquês Ole Bornedal, autor de "Nightwatch" (1997), "Sombras nos meus olhos" conta com a participação de Alex Hogh Andersen (conhecido da série "Vikings") e Ella Nilsson, no doce e ao mesmo tempo irreverente papel de Eva. "Spoiler alert": a cena protagonizada, no final do filme, por Malene Beltoft Olsen, que corre todo o caminho da escola até casa na expectativa de ver se a filha está viva, é absolutamente desconcertante.


Sombras nos meus olhos
Ole Bornedal
Netflix

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