Arte do Dia

No tempo do politicamente correto

No tempo do politicamente correto

Hoje celebra-se o Dia da Bastilha, feriado nacional francês que resgata o episódio da Tomada da Bastilha durante a Revolução Francesa. A festa é assinalada com desfiles militares, fogo-de-artifício e bailes populares.

O hino nacional francês foi composto pelo oficial Claude Joseph Rouget de Lisle, em 1792, e chamava-se originalmente "Canto de guerra para o exército do Reno", para encorajar os soldados no combate de fronteira.

A canção ganhou grande popularidade durante a Revolução Francesa, especialmente entre as unidades do exército de Marselha, ficando então conhecida como "A Marselhesa".

"Avante, filhos da Pátria,

O dia da Glória chegou!

Contra nós da tirania,

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O estandarte ensanguentado se ergueu.

Ouvis nos campos

Rugir esses ferozes soldados?

Vêm eles até aos vossos braços

Degolar os vossos filhos, as vossas mulheres!

Às armas, cidadãos,

Formai os vossos batalhões,

Marchemos, marchemos!

Que um sangue impuro

Banhe o nosso solo!"

Curiosamente o hino nacional de cá, "A Portuguesa", era uma canção de protesto na sequência do ultimato inglês de 1890, que exigia a retirada dos portugueses dos territórios entre Angola e Moçambique. Adotada pelos republicanos, veio a transformar-se no hino em 1911.

A letra de ""A Portuguesa" foi escrita por Henrique Lopes de Mendonça e a música composta por Alfredo Keil. Na versão original a letra dizia "Contra os bretões marchar, marchar". Só mais tarde entraram os canhões. Com a implantação da República em 1910, a canção foi escolhida como hino nacional a 19 de junho de 1911 pela Assembleia Constitutiva.

Se Portugal conseguiu adaptar a letra consoante as circunstâncias, o mesmo não aconteceu com Espanha, Bósnia-Herzegovina e San Marino. Estes três países são dos poucos cujos hinos não têm letra. Em 1908, Bartolomé Pérez Casas foi convidado pelo rei Afonso XIII, de Espanha, a fazer uma harmonização da Marcha Real. Se a primeira letra era relativamente consensual, o regime franquista decidiu alterá-lo em 1928, para algo que começava com:

"Viva Espanha!

Levantai os braços filhos do povo espanhol

Que volta a ressurgir

Glória à pátria que soube seguir

Sobre o azul do mar o caminhar do sol"

Quando se deu a queda do regime franquista, a letra foi proibida. Mas, em 2007 foi lançado um concurso para criar novos versos que tentam reconciliar o país. Diziam:

"Viva Espanha!

Cantemos todos juntos

com distinta voz

e um só coração."

Ao fim de poucas semanas e muita contestação, a letra voltou a ser retirada porque não ser considerada suficientemente.

Itália foi dividida em sete estados depois da queda de Napoleão, em 1815, na sequência do Congresso de Viena. Este facto enfraquecia o país, o que está destacado no seu hino. A reunificação aconteceu com o fim da Primeira Guerra Mundial.

"Há séculos que somos pisados, escarnecidos,

porque não somos um povo,

porque somos divididos

Reunamo-nos sob uma única bandeira,

uma esperança: de nos unirmos. Já soou a hora."

"God save the queen" é o hino oficial do Reino Unido, mas só é usado em Inglaterra e na Irlanda do Norte. Escócia e País de Gales têm canções próprias. Mas a letra tem apenas este verso em comum, já que o resto vai sendo alterado conforme o monarca que ocupa o trono.

Por fim, o "Hino da alegria", ou "Ode à alegria", poema escrito por Friedrich Schiller em 1785 e tocado no quarto movimento da 9.ª Sinfonia de Ludwig van Beethoven, onde é proposta uma visão idealista da raça humana como irmandade. Uma visão que tanto Schiller como Beethoven partilhavam e que serve de hino da União Europeia. Em português ganhou a seguinte letra:

Vem, canta, sonha cantando

Vive sonhando um novo sol

Em que os homens voltarão a ser irmãos

Este será um dos poucos hinos não bélicos que existem. Um sinal dos tempos.

O ano passado, numa contagem informal, pediram a compositores clássicos para votarem no melhor hino nacional. O escolhido foi o do Uruguai.

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