Prémio

Nobel da Literatura para Olga Tokarczuk e Peter Handke

Nobel da Literatura para Olga Tokarczuk e Peter Handke

A Academia Sueca anunciou, esta quinta-feira, em Estocolmo, os vencedores do Prémio Nobel da Literatura de 2018 e 2019.

O Nobel da Literatura 2018 foi atribuído à autora polaca Olga Tokarczuk. O prémio referente a 2019 foi entregue a Peter Handke, escritor austríaco.

O júri justificou o galardão para Olga Tokarczuk, escritora polaca de 57 anos, sublinhando a sua "Imaginação narrativa que, com paixão enciclopédica, representa o cruzar de fronteiras como forma de vida". A Peter Handke, 76 anos, a Academia reconheceu a "influência do seu trabalho, que com engenho literário explorou a periferia e a especificidade da experiência humana".

O escritor austríaco é um dos mais influentes escritores da Europa do pós- Guerra, com uma obra que incluiu romances, ensaios ou dramaturgia. É também reconhecido por ter co-escrito o guião do clássico do cinema de Wim Wenders, "As asas do desejo".

Em Portugal tem editados títulos como "A mulher canhota", "A angústia do guarda-redes antes do penalti", "Os belos dias de Aranjuez" (2014), "A hora da sensação verdadeira" (1988) ou "Numa noite escura saí da minha casa silenciosa" (2006).

Tokarczuk tem formação como psicóloga e publicou o seu primeiro romance em 1993. Tem produzido uma série de livros regularmente. O seu romance "Viagens" valeu-lhe o Man Booke Prize International, tornando-se na primeira escritora polaca a vencer este prestigiado prémio. Está editado em Portugal. "Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos" será o próximo título a ser editado no nosso país, pela Cavalo de Ferro, na próxima segunda-feira.

O Nobel da Literatura, atualmente no valor de nove milhões de coroas suecas (cerca de 827 mil euros), é atribuído ao escritor que, nas palavras do testamento de Alfred Nobel, produza, "no campo da literatura, o trabalho mais notável numa direção ideal".

Dois prémios após escândalo

Os vencedores do Prémio Nobel da Literatura referentes a 2018 e 2019 são anunciados depois de um ano de suspensão devido a um escândalo de abuso sexual e crimes financeiros, que abalou a Academia Sueca.

O escândalo que abalou a Academia surgiu no meio do movimento #metoo, acabando por demonstrar a dificuldade da instituição em lidar com a violência de género e sexual. Em causa esteve o comportamento do fotógrafo Jean-Claude Arnault, acusado de assédio por 18 mulheres. Arnaut, condenado a dois anos de prisão, e a mulher, a poeta e dramaturga Katarina Frostenson, um dos 18 membros da Academia, dirigiam uma organização apoiada financeiramente pela instituição sueca quando as denúncias chegaram a público, levando à demissão de vários elementos do júri. Sem quórum e com a sua imagem em crise, a instituição decidiu adiar os prémios de 2018 para repensar a sua formulação.

Desde que foi instituído, em 1895, esta situação ocorreu sete vezes: em 1914, 1918, entre 1940-43, por causa das guerras mundiais, e em 1935, porque "nenhum concorrente merecia ganhar".