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Nostalgia, um dueto e o esperado holograma numa noite para celebrar Variações

Nostalgia, um dueto e o esperado holograma numa noite para celebrar Variações

Capitólio encheu para um concerto de encontro entre o passado e o futuro e onde Sérgio Praia cantou com o homem que tão bem encarnou

"Há largos anos que não me lembrava de uma fila no Parque Mayer assim", comentava-se à entrada do Capitólio, no longo aglomerado de pessoas que esperavam, esta terça-feira, para marcar presença num evento de homenagem a António Variações, 41 anos após a sua estreia em Lisboa.

Em mês de aniversário do Parque Mayer, reavivou-se assim o espírito antigo desta zona de Lisboa, em nome de um artista também muito presente no imaginário mais antigo - mas, claramente e a avaliar pelos presentes, ainda muito vivo no atual. Num evento assumidamente revivalista, o ponto alto seria a "participação" do próprio António Variações em holograma, numa tecnologia ainda não experimentada nestes moldes em Portugal, e apesar deste acabar por ser só um momento do concerto, isso não lhe tirou o impacto - mas já lá vamos.

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A banda do filme de 2019 Variações, encabeçada pelo ator que o encarnou, Sérgio Praia, foi quem fez o corpo pagar neste momento de viagem ao passado. Sérgio personifica Variações quase na perfeição: a voz não será exatamente a mesma, mas todos os toques que aprendeu para o filme, os meneios, a figura, a maneira de falar e dançar e sobretudo o espírito e a entrega que colocou neste seu quase alter ego, tudo nos reporta para as imagens que temos de Variações - já que apenas alguns o terão visto ao vivo nos seus seis anos de atividade como músico, entre 1978 e 1984. "Boa noite! Vamos chamar por ele?" dizia o ator logo ao início, antes de "Anjo da Guarda".

Ao longo da noite, entre temas como "Todos temos Amália na Voz", discos pedidos, passeios pelo público, o ator-cantor e a sua banda foram incansáveis: houve tempo para "O Corpo é Que Paga", "Toma o Comprimido" e para elogios ao realizador do filme "Variações", João Maia, presente na sala, antes de "Na Lama".

No fundo, o concerto serviu como um aquecimento para o grande momento mas foi também ele próprio uma celebração; e quando já se duvidava no público se e quando o holograma aconteceria, eis que Praia o anuncia, pedindo apenas mais uma música "para aquecer antes de chamarmos por ele". E atacou "Estou Além", uma das mais icónicas músicas portuguesas, num momento de festa e adesão do público que quase superou o que chegaria em "A Canção do Engate".

"Ele vai entrar agora. Se há uns anos atrás me dissessem que eu ia estar a fazer um dueto em holograma com o António Variações eu não acreditava", disse o ator, dando-se então a chegada a palco de um Variações em holograma. "Boa noite Capitólio", "disse" a imagem tridimensional cantando então "Canção do Engate" com o apoio de Sérgio Praia. Um momento marcante e meio surreal, parecendo assumido que o holograma, criado com a ajuda de inteligência artificial, não era tanto um espreitar para um portal do passado mas mais como se o cantor estivesse aqui, simplesmente, ainda novo e entre nós.

"Obrigado Lisboa e não se esqueçam: há sempre um noite pra passar", despedia-se o holograma, aludindo ao nome do espetáculo, criado também para promover uma nova funcionalidade de filmagens noturnas de um telemóvel da Samsung. Depois de ainda haver tempo para "Maria Albertina", a festa, ou parte dela, seguiu para o Trumps: era anunciado nos ecrãs que haveria uma after party, com lotação limitada, na discoteca lisboeta onde tudo começou - quando Variações lá deu o seu primeiro concerto, a 18 de março de 1981.

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