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Nova peça de Nuno Cardoso estreou esta terça-feira em França

Nova peça de Nuno Cardoso estreou esta terça-feira em França

"Para que os ventos se levantem: uma Oresteia" subiu ao palco do Teatro Nacional de Bordéus. Coprodução com o Teatro Nacional São João, o espetáculo "reacende" a triologia trágica de Ésquilo, a "Oresteia", e coloca-a em diálogo com o presente. No dia 20 chega ao Porto.

É a partir da única trilogia trágica que chegou até nós - a "Oresteia", de Ésquilo, composta pelas peças "Agamémnon", "As Coéforas" e "As Euménides"; perdeu-se apenas o drama satírico que completaria a habitual tetralogia levada a concurso nas Grandes Dionisíacas, realizadas em Atenas, no século V a.C. - que se constrói "Para que os ventos se levantem: uma Oresteia", montagem de Nuno Cardoso e Catherine Marnas que se estreou esta terça-feira no Teatro Nacional de Bordéus, em França.

Parte do programa oficial da Temporada Portugal-França, acordada em 2018 pelo Presidente da República Francesa, Emmanuel Mácron, e pelo Primeiro-Ministro português, António Costa, a produção conjunta do Teatro Nacional de Bordéus e do Teatro Nacional São João leva à cena seis atores franceses e seis portugueses (Carlos Malvarez, Gustavo Rebelo, Inês Dias, Telma Cardoso, Teresa Coutinho e Tomé Quirino), para um espetáculo bilingue que fará a sua estreia em Portugal dia 20 de outubro, no Teatro São João, no Porto.

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Texto que sinaliza, como tema fundamental, a passagem da barbárie à civilização, do despotismo à democracia e do ciclo de vinganças à justiça, ou, como explica Marta Várzeas, professora e ensaísta da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, "a passagem de um estádio civilizacional em que vigorava a lei de talião e a punição dos crimes era da responsabilidade dos familiares diretos da vítima, para um tempo em que o ónus de decidir sobre o que fazer aos prevaricadores passou a ser de um coletivo de juízes independentes que, apoiados em leis iguais para todos os cidadãos, decidiam sobre crimes cometidos por outros".

A "Oresteia" foi reescrita, ou "reacendida", pelo dramaturgo Gurshad Shaheman, que desloca a trama dominada por personagens como Clitemnestra, Agamémnon, Orestes ou Electra para o Médio Oriente e lhe insere figuras como jornalistas, "spin doctors", feministas ou ambientalistas, transportando esse colosso da cultura europeia para o diálogo com os problemas contemporâneos.

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