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Novo livro de Valter Hugo Mãe é "politicamente explosivo"

Novo livro de Valter Hugo Mãe é "politicamente explosivo"

Auditório da Super Bock Arena, no Porto, encheu-se esta tarde para a apresentação de "As doenças do Brasil"

O escritor Valter Hugo Mãe comemora hoje 50 anos com uma dupla apresentação do novo livro "As doenças do Brasil". A sessão da tarde contou com o escritor e jornalista Laurentino Gomes e a da noite com Pilar del Río, ambas moderadas por Carlos Vaz Marques.

A meio da tarde a concentração de pessoas no auditório da Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota, no Porto de bilhete na mão, quase fazia crer que ali se encontraria alguma estrela do universo pop. Quase 400 pessoas encheram o auditório para ouvir "os spoilers" desta nova história. Carlos Vaz Marques fez as honras da casa e disse ser "uma espécie de banda de tributo manhosa que é dada a ouvir aos fãs, antes da estrela principal".

Nesse preâmbulo, explicou que "este era um romance com inquietações políticas, com a colonização portuguesa e implicações poéticas". Lembrando que "ambição literária não falta a Valter Hugo Mãe, que depois de mergulhar de cabeça na cultura japonesa, e na islandesa, situa-se agora num tempo remoto e inventa uma linguagem própria para a cultura brasileira".

Laurentino Gomes, escritor de não ficção brasileiro radicado em Portugal e com um importante trabalho sobre a escravatura, disse que o trabalho de Valter Hugo Mãe era "politicamente explosivo". A estrela da tarde agradeceu à banda de tributo e disse ser "um prazer envelhecer desta forma".

Mas clarificou que "às vezes prestamos mais atenção ao primeiro ministro do que às poesias de Tolentino de Mendonça, quando ele ainda está vivo", e que Laurentino Gomes era o escritor que Valter nunca poderia ser.

O livro, cujo título é tirado de um sermão do Padre António Vieira, aborda como a "fera branca" quase exterminou os povos originários do Brasil, que não podiam escravizar. A dada altura, em fuga, os negros, "muitas vezes rasurados da História", encontraram ao acaso os povos de peles vermelhas e tantas vezes o entendimento aconteceu. "Ao contrário da mestiçagem, que começou com violência." A história repete-se quando alguém "vota Bolsonaro", instigou o escritor - e a plateia levantou-se para o aplaudir.

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