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Novos e velhos talentos da música portuguesa em palco

Novos e velhos talentos da música portuguesa em palco

O Vodafone Paredes de Coura está de regresso ao habitat natural e o primeiro dia de festival ficou marcado pela atuação de Linda Martini, Mão Morta e Sam The Kid.

E assim foi o primeiro dia de um dos mais místicos festivais de Portugal, que para sempre ficou marcado pela chuva, pelos impermeáveis e pelos concertos de grandes nomes portugueses.

Os primeiros a subir a palco, num horário fora de comum para o festival (14 horas), foram The Lemon Lovers, que, apesar da hora, prometeram começar em grande o que foi um dia e noite repleto de música. Num ano de novidades para o Paredes de Coura, pode-se dizer que a banda contribuiu também com algumas delas: a sua renovada formação, agora com sete elementos, e a apresentação em concerto das novas canções que constituem o mais recente álbum "pretend that i care".

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A dar continuidade ao dia de concertos, que aconteceram de hora em hora, os festivaleiros contaram com a atuação de bandas como, Club Makumba e o seu álbum de estreia; Benjamim; The Twist Connection e Pluto, sendo este último o que fez surgir, no meio da multidão, o primeiro de muitos moches.

"Canções do Pós-Guerra" foi o disco que se fez ouvir pelos recantos do recinto, quando Samuel Úria subiu ao palco, no final da tarde. Mas o artista pouco se ficou pelos íntimos do álbum e cantou igualmente algumas das suas mais célebres músicas. Ainda que pela quarta vez, o carinho do público não deixou de surpreender o artista que afirmava "Isto é lindo caramba, isto é mel."

Às 20.30 horas, Linda Martini prometeram espetáculo e, como o prometido é devido, assim o fizeram. Na sua sexta vez, no Vodafone Paredes de Coura, juntaram-se a Rui Carvalho, que veio a ocupar o lugar do antigo guitarrista, para um concerto, a oscilar entre o punk e o hardcore, fazendo as cabeças abanar e os corpos saltar. Não conseguindo conter dentro de si o entusiasmo de ouvir no palco clássicos como "Boca de Sal", "Cem Metros Sereia", e outros mais. O público, além de moches, mergulhou entre as mãos das pessoas, marcando aqui o início do crowd surfing.

"Nós somos os cabrões dos Mão Morta. Ainda bem que sabem", foram as palavras proferidas por Adolfo Luxúria Canibal antes de abandonar o palco. Mais do que um concerto, a banda trouxe uma performance, quase equiparada a uma peça de teatro, que deixou o público com a necessidade de responder de volta - e deste modo originou-se um dos mais agressivos moches da noite. Sem conseguir compreender a música na voz, o vocalista abrangeu as líricas aos movimentos do corpo e, entre sonetos musicais e danças teatrais, assim foi Mão Morta.

Após uma experiência extracorporal com os vários artistas antecedentes, com Sam The Kid viajou-se atrás no tempo. Entre músicas, o rapper levou o público ao quarto onde cresceu, e que esteve na origem da sua criação como o músico que conhecemos atualmente. 22 anos depois, regressa ao Paredes de Coura, mas, desta vez não veio sozinho. Na sua companhia estavam a Orquestra & Orelha Negra, bem como convidados surpresa - Mundo Segundo, NBC, e o seu pai que, sob a forma de monólogo, abriu o concerto. A energia de Sam The Kid fez-se sentir, despertando a vontade dos festivaleiros de se empoleirarem nas costas uns dos outros.

A encerrar este dia inédito, nos 29 anos de existência do festival, esteve Moullinex, que trouxe a experiência de um "after hours" ao palco principal. Para quem o ouvia, os óculos de sol era um acessório essencial, quase como um uniforme ou uma mensagem do público ao artista de apreciação à sua sonoridade eletrónica. Com poucas palavras, mas muito som, o público deixou-se dançar, sem nunca querer parar. Comovido pelo amor e carinho recebido, ao produtor, DJ e multi-instrumentalista pouca vontade faltava de acabar o concerto e, desde logo, num número final, convidou vários artistas que tinham pisado o palco anteriormente a juntar-se a ele. Enquanto se lançavam no ar balões brancos e cintilantes em forma de coração, numa só voz, artistas e público cantaram "Take my pain away", demonstrando que a música faz a união.

E num só dia se conquistou o afeto de milhares de pessoas, que ansiavam regressar ao recinto.

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