Teatro

O caderno que une o presente e o passado do Rivoli

O caderno que une o presente e o passado do Rivoli

O lançamento do "5.º Caderno - Ensaio sobre os arquivos do Rivoli", da autoria de Nuno Coelho, no sábado passado, durante a celebração do 85.º aniversário do Teatro Municipal do Porto reveste-se de especial valor simbólico pois sinaliza o retomar de um percurso interrompido em 2006, quando a gestão do teatro foi entregue a Filipe La Féria pelo anterior executivo municipal.

Foi ao final da tarde, com a presença do autarca Rui Moreira, do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, e do secretário de estado da Cultura, Miguel Honrado, que Nuno Coelho, designer e investigador, apresentou a sua exposição "Monumentalidade dos arquivos do Rivoli" e o "5.ºCaderno", explicando a génese e a conceção do projeto.

Distribuído gratuitamente a todos os que passaram, no sábado, pelo Rivoli, ao longo das quinze horas non-stop de programação, o "5.º Caderno" foi precedido por mais cinco edições, iniciadas com o número zero, e que foram lançadas, semestralmente, entre 2002 e 2004, período em que o teatro era dirigido por Isabel Alves Costa (1946-2009). O "5.º Caderno do Rivoli", cujo lançamento esteve previsto para 2005, nunca chegou a sair do prelo, e só agora foram conhecidos os seus conteúdos.

Se os números anteriores, todos eles temáticos e também oferecidos gratuitamente ao público, versaram sobre as áreas da dança ou do novo circo, o "5.º Caderno" debruça-se sobre a cenografia, contendo textos de Nuno Carinhas, Jorge Pinto, Ana Luena ou Sissa Afonso. Para este trabalho de reconstrução, Nuno Coelho explicou, na sua introdução ao Caderno, ter escolhido "publicar os conteúdos tal qual foram encontrados no arquivo, sendo esta obra um fac-símile em monofolhas".

Muito mais do que um número "fora de prazo", esta edição documenta um processo e dá visibilidade à memória contida nos arquivos do Rivoli. Além das imagens e dos textos, que são apresentados com notas e correções, o "5.º caderno" inclui ainda os pedidos de orçamentos a gráficas e outros documentos relacionados com a elaboração do volume. Um trabalho de arqueologia que faz a ponte entre o presente e esse passado interrompido, conforme notou Rui Moreira, que lembrou, aliás, numa referência ao período de gestão de Filipe La féria, que "a manifestação contra o Rivoli como barriga de aluguer foi o momento fundacional para a minha candidatura".

Com a recuperação do seu papel no apoio à criação local e na exibição de propostas diversificadas na área da dança, do teatro, do cinema, da música e da literatura, o Rivoli reencontrou-se com o seu passado e pode agora, como reclamou o seu diretor, Tiago Guedes, "comemorar o presente".

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