Cultura

"O Fim das Possibilidades" em estreia mundial no São João a partir de sexta-feira

"O Fim das Possibilidades" em estreia mundial no São João a partir de sexta-feira

O Teatro Nacional de São João (TNSJ) acolhe, a partir de sexta-feira, a estreia mundial da peça "O Fim das Possibilidades", uma "fábula satânica" com texto de Jean-Pierre Sarrazac e encenação de Nuno Carinhas e Fernando Mora Ramos.

Tratando-se de uma parábola, cuja ação se desenvolve à volta de um pacto feito entre Deus e Satã para que o segundo possa causar sofrimento a João Baptista (J.B.), a peça é um reflexo da conjuntura atual, mas, garantem os encenadores, não se resume a isso.

"É uma alusão aos tempos de crise que estamos a passar. Mas o espetáculo é o reverso disso, é o pôr tudo em questão para que possamos discutir e abrir novos caminhos", explicou Nuno Carinhas, o diretor artístico do TNSJ que, nesta peça, partilha a encenação com Fernando Mora Ramos, do Teatro Rainha.

Depois de perder o emprego, J.B. é enviado para as profundezas da terra, onde desfilam personagens que vão maldizendo as desgraças que os conduziram até ali.

"Dantes havia subidas e descidas e agora só há descidas", resume um dos "condenados".

No entanto, a ideia, explica Fernando Mora Ramos, do Teatro Rainha, passa mais por abrir caminho à reflexão e menos por fazer com que o espectador termine o espetáculo envolto em tristeza.

"A peça é construída contra a lógica dramática, contra essa tristeza enquanto experiência de receção do espectador. Abre um campo imenso de reflexão. A ideia é abrir perspetivas e não fechar", refere, sublinhando que a peça se enquadra na lógica da dramaturgia rapsódica.

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Já o facto de se tratar de uma estreia mundial justifica-se com "campo muito forte de um comum teatral" entre Jean-Pierre Sarrazac e Fernando Mora Ramos que dura há já 30 anos.

"O texto foi cedido ao Fernando Mora Ramos pelo autor, em primeira mão, ele passou-mo, eu adorei e passámos a esse compromisso", justifica Nuno Carinhas, para quem o facto de se tratar de uma encenação a duas mãos é uma mais-valia: "Partir esta responsabilidade ao meio é uma desmultiplicação frutuosa. Estamos a abrir possibilidade de refletirmos sobre uma realidade que a um só, ficaria mais fechada."

"O Fim das Possibilidades" estará em cena até 27 de março, Dia Mundial do Teatro, de quarta a domingo.

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